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terça-feira, 30 de agosto de 2016
Festival Folk Celta 2016 - Report
Ao todo era uma dúzia de propostas para esta nona edição do Folk Celta em de Ponte da Barca.
Certame que decorreu no fim-de-semana de 29 e 30 de Julho, na Praça Terras do Nóbrega, com a habitual feira alternativa, junto às margens do rio Lima.
Com muita pena minha, não consegui assistir a mais do que quatro concertos e mesmo o quarto ficou a meio…
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terça-feira, 12 de julho de 2016
Agenda - Festival Folk Celta 2016
O Festival Folk Celta apresenta hoje o line-up completo para a sua 9ª Edição a decorrer nos dias 29 e 30 de Julho na Praça Terras da Nóbrega, em Ponte da Barca.
Com as margens do Rio Lima e do seu afluente Vade como cenário, o Festival Folk Celta, que é organizado pela Câmara Municipal de Ponte da Barca aposta novamente em dois palcos a funcionar em alternativo – o Palco Terras da Nóbrega e o Palco Bricelta.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
António Zambujo no Cine Teatro de Estarreja - Report
Ao contrário da estreia, como ele lembrou, com cerca de 40 pessoas a vê-lo, há cerca de dois ou três anos atrás, foi com sala esgotada que o Cine Teatro de Estarreja recebeu António Zambujo, no passado dia 16 de Março.
Além da companhia do público que o recebeu muito bem, estavam também o Bernardo Couto na Guitarra Portuguesa, o José Miguel Conde no Sax, o Ricardo Cruz no Contrabaixo e, em estreia absoluta, o Miguel Veras, que também costuma acompanhar Júlio Pereira, no Cavaquinho e na Guitarra.
Desde o primeiro minuto, instalou-se uma espécie de encanto infinito. As canções interpretadas por António Zambujo têm essa faculdade, cativam-nos e deixam-nos numa espécie de hipnose que dura até depois de acabarem as canções. A sua simpatia, o bom humor e o virtuosismo dos músicos que o acompanham, fazem o resto.
O repertório passou por todos os seus discos. As suas introduções bem-dispostas alegraram-nos e as canções levaram-nos ao seu Alentejo Natal, passando pelo Brasil, por África e desaguaram em Lisboa, donde são alguns dos fados que cantou.
“Algo de estranho acontece” na volta que ele dá aos temas, pois mesmo as versões têm um estilo tão próprio que parecem ser só dele, o estilo é de tal forma próprio que se torna difícil classificar, é fado, é tradicional, é quase pop, é jazz, enfim é tudo de bom.
Ao fim de cada tema havia uma ovação, às vezes até a meio de alguns deles, quando demos por ela já tinham sido cantadas 19 canções e o concerto estava a terminar, assim num instante, sem se dar pelo tempo a passar.
Mesmo assim ainda tivemos direito a mais dois temas no encore, que abriu com uma lindíssima versão de Foi Deus – tema tornado popular pela voz de Amália – acompanhado apenas pelo contrabaixo, depois, já com todos em palco, foi tocado “Amor de Mel, Amor de Fel” que fechou com chave d’ouro.
Foi uma noite daquelas que vão ficar na memória de todos, para toda a vida.
O Alinhamento Completo foi:
Casa Fechada
Algo de Estranho Acontece
Fortuna
Queria conhecer-te um dia
Flagrante
Lambreta
Guia
Rua dos Meus Ciúmes
Apelo
Fado Desconcertado
Toada
A Tua Frieza Gela
Fado da Vida Bela
Noite Estrelada
Nilagrário
Zorro
Barroco Tropical
Não me dou longe de ti
Reader’s Digest
Encore:
Foi Deus
Amor de Mel, Amor de Fel
Além da companhia do público que o recebeu muito bem, estavam também o Bernardo Couto na Guitarra Portuguesa, o José Miguel Conde no Sax, o Ricardo Cruz no Contrabaixo e, em estreia absoluta, o Miguel Veras, que também costuma acompanhar Júlio Pereira, no Cavaquinho e na Guitarra.
Desde o primeiro minuto, instalou-se uma espécie de encanto infinito. As canções interpretadas por António Zambujo têm essa faculdade, cativam-nos e deixam-nos numa espécie de hipnose que dura até depois de acabarem as canções. A sua simpatia, o bom humor e o virtuosismo dos músicos que o acompanham, fazem o resto.
O repertório passou por todos os seus discos. As suas introduções bem-dispostas alegraram-nos e as canções levaram-nos ao seu Alentejo Natal, passando pelo Brasil, por África e desaguaram em Lisboa, donde são alguns dos fados que cantou.
“Algo de estranho acontece” na volta que ele dá aos temas, pois mesmo as versões têm um estilo tão próprio que parecem ser só dele, o estilo é de tal forma próprio que se torna difícil classificar, é fado, é tradicional, é quase pop, é jazz, enfim é tudo de bom.
Ao fim de cada tema havia uma ovação, às vezes até a meio de alguns deles, quando demos por ela já tinham sido cantadas 19 canções e o concerto estava a terminar, assim num instante, sem se dar pelo tempo a passar.
Mesmo assim ainda tivemos direito a mais dois temas no encore, que abriu com uma lindíssima versão de Foi Deus – tema tornado popular pela voz de Amália – acompanhado apenas pelo contrabaixo, depois, já com todos em palco, foi tocado “Amor de Mel, Amor de Fel” que fechou com chave d’ouro.
Foi uma noite daquelas que vão ficar na memória de todos, para toda a vida.
O Alinhamento Completo foi:
Casa Fechada
Algo de Estranho Acontece
Fortuna
Queria conhecer-te um dia
Flagrante
Lambreta
Guia
Rua dos Meus Ciúmes
Apelo
Fado Desconcertado
Toada
A Tua Frieza Gela
Fado da Vida Bela
Noite Estrelada
Nilagrário
Zorro
Barroco Tropical
Não me dou longe de ti
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Foi Deus
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quarta-feira, 13 de março de 2013
Agenda - António Zambujo em Estarreja
É já este sábado, pelas 22h, que o Cine Teatro de Estarreja vai ter António Zambujo ao vivo.
Os bilhetes custam 13€ para a plateia e 10€ para o balcão e prevejo lotação esgotada, por isso apressem-se a reservar os vossos bilhetes.
Se o concerto for como o habitual, vai ser, no mínimo, inesquecível!
Aqui fica "Flagrante", o primeiro single do último álbum, que mostra bem que a música do Zambujo é algo que não se deve perder e muito difícil de colar a um só estilo.
Tambémpodem ver aqui como foi o concerto de Torres Novas em Janeiro: http://acertezadamusica.blogspot.pt/2013/02/antonio-zambujo-em-torres-novas.html
Os bilhetes custam 13€ para a plateia e 10€ para o balcão e prevejo lotação esgotada, por isso apressem-se a reservar os vossos bilhetes.
Se o concerto for como o habitual, vai ser, no mínimo, inesquecível!
Aqui fica "Flagrante", o primeiro single do último álbum, que mostra bem que a música do Zambujo é algo que não se deve perder e muito difícil de colar a um só estilo.
Tambémpodem ver aqui como foi o concerto de Torres Novas em Janeiro: http://acertezadamusica.blogspot.pt/2013/02/antonio-zambujo-em-torres-novas.html
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
António Zambujo em Torres Novas
No dia 26 de Janeiro, António Zambujo actuou,
perante uma sala esgotada de fãs entusiasmados, no Teatro
Virgínia.
O alinhamento, a espaços, do seu último álbum, Quinto, foi o fio condutor de todo o concerto. Voz, guitarras, clarinete e contrabaixo, tons de fados, a fugir para registos claros de bossa nova ou com evidentes elementos jazz.
Uma performance onde não faltou a sentida homenagem ao Cante Alentejano, com Fui Colher Uma Romã, que Zambujo cantou e tocou, sozinho em palco, perante uma plateia emocionada.
E foi assim, entre silêncios, ovações e aclamações de pé, entre canções a pedido e solos de guitarra, entre companhia e uso exclusivo do palco que António Zambujo e os seus músicos encantaram as gentes torrejanas e deixaram vontade de um regresso breve.
Podem encontrar mais fotos deste concerto aqui.
Texto "Sacado" a Margarida Teodoro
Fotos Gentilmente Cedidas por David Sineiro Fotografia
O alinhamento, a espaços, do seu último álbum, Quinto, foi o fio condutor de todo o concerto. Voz, guitarras, clarinete e contrabaixo, tons de fados, a fugir para registos claros de bossa nova ou com evidentes elementos jazz.
Uma performance onde não faltou a sentida homenagem ao Cante Alentejano, com Fui Colher Uma Romã, que Zambujo cantou e tocou, sozinho em palco, perante uma plateia emocionada.
E foi assim, entre silêncios, ovações e aclamações de pé, entre canções a pedido e solos de guitarra, entre companhia e uso exclusivo do palco que António Zambujo e os seus músicos encantaram as gentes torrejanas e deixaram vontade de um regresso breve.
Podem encontrar mais fotos deste concerto aqui.
Texto "Sacado" a Margarida Teodoro
Fotos Gentilmente Cedidas por David Sineiro Fotografia
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Os Melhores Discos de 2012
Como já se torna hábito, chegou a altura de fazer a lista dos melhores de 2012 para A Certeza da Música.
A qualidade da música feita por cá, e que foi aparecendo ao longo do ano foi tão boa que a tarefa de escolher os melhores foi quase “hercúlea”, mas está feita.
Sem mais delongas, aqui estão aqueles que mais gostei de ouvir durante o ano que há pouco acabou:
1º António Zambujo – Quinto
2º TV Rural – A Balada do Coiote (só porque tiveram o "azar" de lançar o disco no mesmo ano do Zambujo)
3º O Experimentar Na M’Incomoda – 2: Sagrado e Profano
4º Laia – Sogra
5º Celina da Piedade – Casa
6º The Parkinsons – Back to Life (excelente regresso!)
7º Diabo na Cruz – Roque Popular
8º Wraygunn – L’Art Brut
9º Gaiteiros de Lisboa – Avis Rara
10º A Naifa - Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes (falta na foto porque me esqueci que era deste ano)
10º B Fachada, Minta e João Correia – reconstroem Os Sobreviventes
11º Corsage – Música Bipolar Portuguesa
12º Algodão – A Gramática da Paixão Dramática
13º Miuda – Miuda (não é só por causa do com quem eu quero, note-se)
14º Birds Are indie –How Music Fits Your Silence
15º The Underdogs – Songs for The Few
16º Minta & The Brook Trout – Olympia
17º The Scart – As We Like It
18º Mind da Gap – Regresso ao Futuro
19º B Fachada – Criôlo
20º Dazkarieh – Eterno Retorno
21º O Baú – Achega-te
22º Sebastião Antunes – Com um Abraço
23º Anaquim – Desnecessariamente Complicado
24º À Sombra de Deus IV – Braga 2012
25º Novos Talentos Fnac 2012
A qualidade da música feita por cá, e que foi aparecendo ao longo do ano foi tão boa que a tarefa de escolher os melhores foi quase “hercúlea”, mas está feita.
Sem mais delongas, aqui estão aqueles que mais gostei de ouvir durante o ano que há pouco acabou:
1º António Zambujo – Quinto
2º TV Rural – A Balada do Coiote (só porque tiveram o "azar" de lançar o disco no mesmo ano do Zambujo)
3º O Experimentar Na M’Incomoda – 2: Sagrado e Profano
4º Laia – Sogra
5º Celina da Piedade – Casa
6º The Parkinsons – Back to Life (excelente regresso!)
7º Diabo na Cruz – Roque Popular
8º Wraygunn – L’Art Brut
9º Gaiteiros de Lisboa – Avis Rara
10º A Naifa - Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes (falta na foto porque me esqueci que era deste ano)
10º B Fachada, Minta e João Correia – reconstroem Os Sobreviventes
11º Corsage – Música Bipolar Portuguesa
12º Algodão – A Gramática da Paixão Dramática
13º Miuda – Miuda (não é só por causa do com quem eu quero, note-se)
14º Birds Are indie –How Music Fits Your Silence
15º The Underdogs – Songs for The Few
16º Minta & The Brook Trout – Olympia
17º The Scart – As We Like It
18º Mind da Gap – Regresso ao Futuro
19º B Fachada – Criôlo
20º Dazkarieh – Eterno Retorno
21º O Baú – Achega-te
22º Sebastião Antunes – Com um Abraço
23º Anaquim – Desnecessariamente Complicado
24º À Sombra de Deus IV – Braga 2012
25º Novos Talentos Fnac 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
António Zambujo no Bons Sons
Por estar a trabalhar, o que hoje em dia, infelizmente, é sinal de muita sorte, não me foi possível assistir ao primeiro dia do Bons Sons deste ano. Pela mesma razão, só cheguei na sexta-feira, mesmo a tempo de ver António Zambujo.
Sem tempo para pensar no que já tinha perdido desse dia, dirigi-me de imediato para o Palco Giacometti para ver este meu mais recente ídolo musical. Pelos vistos que não era só eu que estava ansioso para o ver pois a rua que dava acesso ao palco já estava completamente cheia de gente, mesmo assim, lá consegui “furar” e ir até à frente de palco para “sacar” as imagens deste meu primeiro, e espero que de muitos, encontro com a música do alentejano das canções aparentemente simples que já são muito mais que fado e que não deixam ninguém indiferente.
O António entrou no palco, só acompanhado da sua viola e de imediato começou o encanto cantando duas canções alentejanas e uma dos açores. Cantou o Amor em Queria Conhecer-te Um Dia do excelente álbum Quinto, e finalmente todos os que enchiam a rua sentados, levantaram-se e permitiram que muitos dos que estavam mais atrás pudessem também ver o cantor e de repente a audiência passou para o dobro. Pouco depois, ele atravessou o oceano e cantou Quando Tu Passas Por Mim com uma letra lindíssima de Vinícius de Moraes. E claro o grande single de Quinto, a canção Flagrante, cuja letra deixa qualquer um de sorriso nos lábios. Deste último disco foi também cantada, neste caso com o público a acompanhar, Lambreta, com letra da autoria de João Monge e que é mais uma daquelas letras deliciosas que nos enchem a “alma”.
De letras e canções bonitas está o repertório de António Zambujo cheio e não faltou a belíssima Algo de Estranho Acontece de Pedro da Silva Martins, o mesmo que escreve as letras de Deolinda e que antes de conhecer o Zambujo, já tinha uma pasta no computador com canções para ele. Ouviu-se O Pica do Sete, esta da responsabilidade de outro grande escritor de canções, o Miguel Araújo Jorge que também escreveu o Reader’s Digest.
As ovações foram-se sucedendo e eram cada vez mais efusivas, com algum humor o cantor lá ia dizendo que “por minha vontade ficava cá a cantar toda a noite, mas ainda não comi!”.
Claro que teve de haver encore e o tema que foi exigido, quase por unanimidade, foi Zorro, a letra é de João Monge e a certa altura fala em “Ter o Benfica todo nos meus pés”, foi neste momento que surgiu uma dedicatória especial ao Samuel Úria que se encontrava ao lado do palco a assistir ao concerto e tinha estado à tarde a colaborar no concerto da Celina Piedade.
Foi desta forma alegre e bem-disposta, a mesma com que decorreu todo o concerto, que terminou a actuação de António Zambujo.
Para mim foi uma excelente maneira de entrar no Bons Sons deste ano.
Sem tempo para pensar no que já tinha perdido desse dia, dirigi-me de imediato para o Palco Giacometti para ver este meu mais recente ídolo musical. Pelos vistos que não era só eu que estava ansioso para o ver pois a rua que dava acesso ao palco já estava completamente cheia de gente, mesmo assim, lá consegui “furar” e ir até à frente de palco para “sacar” as imagens deste meu primeiro, e espero que de muitos, encontro com a música do alentejano das canções aparentemente simples que já são muito mais que fado e que não deixam ninguém indiferente.
O António entrou no palco, só acompanhado da sua viola e de imediato começou o encanto cantando duas canções alentejanas e uma dos açores. Cantou o Amor em Queria Conhecer-te Um Dia do excelente álbum Quinto, e finalmente todos os que enchiam a rua sentados, levantaram-se e permitiram que muitos dos que estavam mais atrás pudessem também ver o cantor e de repente a audiência passou para o dobro. Pouco depois, ele atravessou o oceano e cantou Quando Tu Passas Por Mim com uma letra lindíssima de Vinícius de Moraes. E claro o grande single de Quinto, a canção Flagrante, cuja letra deixa qualquer um de sorriso nos lábios. Deste último disco foi também cantada, neste caso com o público a acompanhar, Lambreta, com letra da autoria de João Monge e que é mais uma daquelas letras deliciosas que nos enchem a “alma”.
De letras e canções bonitas está o repertório de António Zambujo cheio e não faltou a belíssima Algo de Estranho Acontece de Pedro da Silva Martins, o mesmo que escreve as letras de Deolinda e que antes de conhecer o Zambujo, já tinha uma pasta no computador com canções para ele. Ouviu-se O Pica do Sete, esta da responsabilidade de outro grande escritor de canções, o Miguel Araújo Jorge que também escreveu o Reader’s Digest.
As ovações foram-se sucedendo e eram cada vez mais efusivas, com algum humor o cantor lá ia dizendo que “por minha vontade ficava cá a cantar toda a noite, mas ainda não comi!”.
Claro que teve de haver encore e o tema que foi exigido, quase por unanimidade, foi Zorro, a letra é de João Monge e a certa altura fala em “Ter o Benfica todo nos meus pés”, foi neste momento que surgiu uma dedicatória especial ao Samuel Úria que se encontrava ao lado do palco a assistir ao concerto e tinha estado à tarde a colaborar no concerto da Celina Piedade.
Foi desta forma alegre e bem-disposta, a mesma com que decorreu todo o concerto, que terminou a actuação de António Zambujo.
Para mim foi uma excelente maneira de entrar no Bons Sons deste ano.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Bons Sons Cada Vez Melhores...
Uma amiga comum fez com que o João Carlos Lopes descobrisse este blog, do qual gostou.
Posteriormente enviou-me um mail a declarar esse gosto e partilhou comigo um texto escrito por ele, sobre o Festival Bons Sons, para o Jornal Torrejano.
Gostei do tanto do texto que assim que o li, fiz-lhe logo um pedido/convite para que me autorizasse a sua publicação, ao que ele respondeu positivamente.
Assim, é com todo o prazer que hoje vos apresento o referido texto. Espero que sintam o mesmo gosto ao lê-lo que eu senti e, desde já, agradeço ao João Carlos pela a sua disponibilidade e colaboração.
...No Melhor Festival da Música Portuguesa
Mas a noite inicial, uma das que marcariam
o festival, foi de “A Naifa”, que arrebatou a multidão com um desempenho
poderoso e que deixou toda a gente atordoada, perante novas e antigas canções,
novas e antigas histórias envolvidas numa batida irresistível em diálogo com a
pouco canónica guitarra portuguesa que caminhava ora em pequenas ladainhas de
sabor fadista ora em vigorosos acordes e dissonâncias, sempre a um ritmo
alucinante.
Depois, nos dias que se seguiram,
foi o desfilar de um cartaz verdadeiramente incrível, com cantautores, músicos
e grupos de todas as áreas e tendências da música portuguesa, daquela que
emerge deste surpreendente momento de criatividade e inovação que podemos
encontrar para onde quer que olhemos.
Posteriormente enviou-me um mail a declarar esse gosto e partilhou comigo um texto escrito por ele, sobre o Festival Bons Sons, para o Jornal Torrejano.
Gostei do tanto do texto que assim que o li, fiz-lhe logo um pedido/convite para que me autorizasse a sua publicação, ao que ele respondeu positivamente.
Assim, é com todo o prazer que hoje vos apresento o referido texto. Espero que sintam o mesmo gosto ao lê-lo que eu senti e, desde já, agradeço ao João Carlos pela a sua disponibilidade e colaboração.
...No Melhor Festival da Música Portuguesa
Vamos directos ao assunto: o
Festival Bons Sons, que se realiza de dois em dois anos em Cem Soldos, ali a
seguir ao Casal da Fonte e antes de Tomar, é o maior e o melhor festival de
música portuguesa. Em termos conceptuais, é o mais sólido e criativo, na
inovação e na própria programação musical, de todos os festivais de música que
se realizam em Portugal.
Já tudo se disse sobre a invenção de transformar uma aldeia, ela toda, no cenário em que decorre o festival, por onde se semeiam os palcos (pelos largos, pelas eiras, pela igreja), por onde se desenvolvem actividades (antigas lojas, tabernas ou barracões), de como ruelas e travessas, casas, pátios e quintais se abrem à comunidade festivaleira e tudo isto assente numa narrativa que começou a ser escrita em 2006 e parece já uma tradição: o festival é um pequeno momento em que a utopia assenta arraiais naquela abençoada aldeia e se descobre na doçura dos gestos, na tranquilidade dos olhares, na calma e na gentileza com que toda a gente trata toda a gente - uma pequena cidade sem muros e sem ameias, como cantou um dia José Afonso, sempre tão presente neste festival apesar de não ter sido contemplado como patrono de um dos palcos, como seria previsível e justo.
Já tudo se disse sobre a invenção de transformar uma aldeia, ela toda, no cenário em que decorre o festival, por onde se semeiam os palcos (pelos largos, pelas eiras, pela igreja), por onde se desenvolvem actividades (antigas lojas, tabernas ou barracões), de como ruelas e travessas, casas, pátios e quintais se abrem à comunidade festivaleira e tudo isto assente numa narrativa que começou a ser escrita em 2006 e parece já uma tradição: o festival é um pequeno momento em que a utopia assenta arraiais naquela abençoada aldeia e se descobre na doçura dos gestos, na tranquilidade dos olhares, na calma e na gentileza com que toda a gente trata toda a gente - uma pequena cidade sem muros e sem ameias, como cantou um dia José Afonso, sempre tão presente neste festival apesar de não ter sido contemplado como patrono de um dos palcos, como seria previsível e justo.
Este ano, o festival não podia
ter começado melhor: primeiro, chegaram os “El Naan” com a tradição densamente
telúrica e enérgica do planalto castelhano.
![]() |
| Foto Bons Sons |
Momentos bonitos viveram-se com Celina da
Piedade, com António Zambujo, que ficou sinceramente surpreendido pela
entusiástica recepção que teve de gente tão nova (“A minha alma está parva”,
deixou cair), alegres com os “You can’t win Charlie Brown” ou com “Os Paus”,
prodigiosos folguedos com os “Pé na Terra” já quase no fecho; ainda no sábado,
as honras foram para Maria João e Laginha, mas o melhor estava para vir, no
domingo e último dia.
Primeiro foi Aldina Duarte, que ultrapassou
os limites do que se julgava possível em entrega e comunhão com um público que
sabe amar a sua arte tão singular. Depois, o festival fecharia portas com um
memorável concerto de Vitorino.
Um Vitorino que parece cantar agora melhor do
que aos 40 ou aos 50 anos. O cantor do Redondo, aqui e ali atiçando o público
com românticos apelos à luta pelos valores do “Sul”, que cantou inicialmente para
definir a matriz política do alinhamento, entremeou as suas canções com
boleros, modas e fados, aqui crónicas de Lobo Antunes, ali gritos de paixão
revolucionária, as pistolas da Maria da Fonte ou as bombas anarco-sindicalista
de há mais de cem anos, sempre naquele registo em que Vitorino o faz, a revolta
elegante servida num cálice de vinho tinto, e o público, que o conhece de
ginjeira, condescende, cúmplice.
Momentos de grande celebração, quase íntima, foram as quatro ou cinco canções do Zeca que Vitorino levou a peito, num registo sempre muito forte, mesmo na roupagem musical. De resto, de todos os “monstros sagrados” da música portuguesa (Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, Palma até certo ponto, e o próprio Vitorino), é o alentejano o mais “afonsino” de todos, assumindo-se como fiel discípulo do “mestre”.
Cem Soldos veio quase abaixo de emoção quando a assistência entoava, em uníssono, o refrão de “Traz outro amigo também”, enquanto o relógio da torre da capela fazia troar as 12 badaladas da meia-noite numa cadência que se diria combinada. Já “A morte saiu à rua” tinha sido outro momento de grande fervor afonsino, mas Vitorino, que a sabe toda, guardou a “Queda do Império” e a “Menina estás à janela” para dar as últimas e o pessoal, gente maioritariamente muito nova, começava enfim a abandonar o largo da aldeia em estado de graça e de transcendência.
Momentos de grande celebração, quase íntima, foram as quatro ou cinco canções do Zeca que Vitorino levou a peito, num registo sempre muito forte, mesmo na roupagem musical. De resto, de todos os “monstros sagrados” da música portuguesa (Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, Palma até certo ponto, e o próprio Vitorino), é o alentejano o mais “afonsino” de todos, assumindo-se como fiel discípulo do “mestre”.
Cem Soldos veio quase abaixo de emoção quando a assistência entoava, em uníssono, o refrão de “Traz outro amigo também”, enquanto o relógio da torre da capela fazia troar as 12 badaladas da meia-noite numa cadência que se diria combinada. Já “A morte saiu à rua” tinha sido outro momento de grande fervor afonsino, mas Vitorino, que a sabe toda, guardou a “Queda do Império” e a “Menina estás à janela” para dar as últimas e o pessoal, gente maioritariamente muito nova, começava enfim a abandonar o largo da aldeia em estado de graça e de transcendência.
Num festival perfeito e quase sem
mácula, em que um dos vários trunfos consiste no começo dos concertos às horas
marcadas, há coisas menos conseguidas? Certamente. Algumas apostas para o palco
da capela revelaram-se desajustadas. Uma coisa é ouvir Lula Pena diante do
altar, outra é cair-se em erros de casting como foi, por exemplo, “Abaixonado” num
local que, embora veja a sua sacralidade temporariamente suspensa, não deixa de
continuar a pedir expressões de alguma contenção e de exigir a devida adequação
nas linguagens artísticas, sonoras e estéticas.
Não fosse o “Bons Sons” uma espécie de demanda da perfeição estética em todos os domínios que se somam para nos oferecer, de dois em dois anos, um intervalo de felicidade plena nestes tempos de chumbo que não adivinhámos.
Não fosse o “Bons Sons” uma espécie de demanda da perfeição estética em todos os domínios que se somam para nos oferecer, de dois em dois anos, um intervalo de felicidade plena nestes tempos de chumbo que não adivinhámos.
João Carlos Lopes
JORNAL TORREJANO – TORRES NOVAS
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