O concerto que se seguiu no Festival Radio Faneca, foi o de
Batida, confesso que de início estava um pouco de “pé atrás”, pois só conhecia
o tema Bazuka (Quem me Rusgou) e até comentei “bem eles vão montar a discoteca,
eu tiro duas ou três fotos e bazo”. Quando comecei a ver o cenário a ser
montado, comecei logo a mudar de opinião e assim que começou o concerto o grupo
conquistou logo a minha atenção, afinal Batida é bem mais que “só” música de
dança, tem muito mais “sumo” para além disso.
Começa logo pela mensagem das canções cuja temática é tudo
menos fútil, nelas fala-se do resultado dos muitos anos de guerra civil que
Angola (País de onde são originários alguns dos membros do grupo) sofreu. Fala-se
do flagelo do álcool, como em Cuka (isso é o que eles querem!) a cerveja que é
tão barata como água e cujo vício impede as pessoas de pensar e as põe a votar
sem questionar, daí continuarem com o ditador eleito José Eduardo dos Santos
que tem direito a uma imagem especial em palco. Tudo embrulhado em ritmos
dançáveis claro, mas onde a mistura entre os instrumentos tradicionais e a
electrónica também está muito bem conseguida.
Também há sempre imagens a ser projectadas em palco que vão
complementando o que ouvimos. Depois ainda há a dança, os dançarinos e cantores
vão-se sucedendo, enriquecendo um espectáculo que se torna único.
Resumindo está um espectáculo muito bem montado, cheio de
estímulos para a dança, mas que ao mesmo tempo dá que pensar.
A certa altura já eu estava completamente “contagiado”, não
dancei, mas bati muito o pezinho e abanei a cabeça, quem me conhece sabe que
isso está bem próximo da dança para mim. Adorei temas como os que antes referi
e ainda Ka Heueh,Yumbala, Alegria e a sua mensagem super-positiva, gostei de
tudo pronto.
No fim ainda fizeram um encore totalmente acústico e com
dança e eu fiquei ainda a gostar mais deles.
Gostei tanto que só não comprei o
disco porque eles não tinham trazido nenhum para vender.
sábado, 25 de agosto de 2012
Batida em Ílhavo
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Ena Pá 2000 em Ílhavo
A 7 de Julho foi a vez dos Ena Pá 2000, banda que a brincar, a brincar, já leva mais de 25 anos de carreira, abrirem em grande a noite de grandes concertos do Festival Rádio Faneca.
Com Manuel João Vieira a liderar uma banda competentíssima, onde não faltam os “eternos” Luís Desirat, Francisco Ferro e Mimi, que ainda contou com o grande Filipe Mendes ou Phil Mendrix e se não estou em erro, pois a informação é pouca, com Pedro Rijo, Manuel Duarte e João Santos, mais uma partenaire da qual não sei o nome (agradeço a ajuda), e que desde a entrada em palco até ao final soube montar a festa com toda a diversão a que o público tem direito.
Com sete álbuns no curriculum, matéria não lhes faltava para preencher uma hora e pouco de concerto, até daria para mais que isso, mas a seguir ainda havia outra banda. Deram uma volta por todos os discos sempre com boa disposição e com a excelência dos apartes de Manuel João que debita autênticas pérolas enquanto suas partenaires preparam a roupa para os temas seguintes. Temas onde se ouve Rock, Folk, Blues, Jazz e até quase Fado sempre com letras bem apimentadas e cheias (ou não) de significado, para dar uma de intelectual posso dizer que é uma espécie de “pimba kitsch” (ganda pinta…) que põe toda a gente a rir e diverte pessoas de todas as idades e estratos sociais.
Abriram com Alice, logo seguido de Mulher Portuguesa e Tango. Passaram por LSD, Vida de Cão e PDF do mais recente disco. Desta vez até os achei um pouco contidos no verbo, pois como o vocalista ia lembrando “havia crianças presentes” e a apresentar certas canções não dava o nome exacto delas para não ferir susceptibilidades.
Terminaram em grande com o saudoso Marilu, momento em que cheguei a ver o elemento masculino de um casal heterossexual, a cantar o refrão para a sua acompanhante de dança, com um sorriso maroto que foi sempre correspondido com um sorriso cúmplice. Foi um momento que vai ficar por uns tempos na minha memória. Um concerto de Ena Pá 2000 também tem destas coisas…
O entusiasticamente exigido encore contou com Menina Azul (Surf) que me fez voltar aos tempos de universidade em que passei parte de umas férias de Verão a ouvir a cassete com a gravação do cd “Enapália 2000”, e com Bacamarte.
Ficou provado que eles sabem animar a malta e quanto mais etilizado esteja o público melhor lhes parece tudo aquilo, eu gosto da forma profissional como todos os membros da banda vestem os personagens e dão a festa para as pessoas, não deixando de dizer algumas coisas importantes pelo meio, fazendo uma espécie de Carnaval que ninguém leva a mal.
Deu para me divertir. Viva os Ena pá 2000!
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Real Combo Lisbonense em Ílhavo
A 6 de Julho tive o prazer de ver o concerto do Real Combo Lisbonense em Ílhavo, integrado no Festival Rádio Faneca, uma brilhante iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Ílhavo e pelo Centro Cultural de Ílhavo que conseguiu cruzar as artes performativas, visuais e a música durante quatro dias, deixando aquela cidade em animada “polvorosa” criativa.
Para quem não conhece o Real Combo Lisbonense, ele é uma orquestra, idealizada por João Paulo Feliciano, - o músico ex-Tina and the Top Tem que também é arquitecto e que no grupo toca órgão Hammond, piano, guitarra e pandeireta – que tem “um repertório essencialmente constituído por clássicos de sempre e pérolas perdidas da música portuguesa o Real Combo Lisbonense é uma formação que recupera, sob uma perspectiva actual, o espírito e o repertório das orquestras e conjuntos de baile dos anos 50 e 60”.
Do grupo fazem parte Ana Brandão na voz, Bruno Pernadas (Jule and the Carjackers e etc.) na guitarra, David Santos (TV Rural) no baixo, Ian Mucznik (Rat Swinger) na voz, guitarra e percussões, João Pinheiro (TV Rural/Diabo na Cruz) na bateria e vibrafone, Mário Feliciano (ex-Red Beans) no orgão Farfisa, voz e percussões, Rui Alves (Julie and The Carjackers e etc.) nas percussões, bateria e coros, Sérgio Costa (Vitorino, etc.) no piano, piano eléctrico, flauta, saxofone tenor, Tomás Pimentel (são tantas colaborações que não cabem aqui) no trompete e fliscórnio e ainda contaram com a participação da Márcia Santos na voz.
O concerto começou com um instrumental e de imediato nos sentimos a entrar na máquina do tempo, todo o aspecto visual nos leva para outros tempos e a música vai-nos embalando, o apelo à dança “agarradinhos, mas com respeito” é uma constante, ao mesmo tempo que somos invadidos por uma sensação de felicidade permanente.
Os cantores iam-se revezando e os temas iam saltitando entre Portuga, França, Espanha e Brasil com ritmos alegres, música bem “swingada” e sempre muito bem cantada, a alegria que se vive no palco vai contagiando quem assiste e, aqui e ali, a timidez inicial do público vai sendo derrotada e começam a ver-se alguns pares a dançar, foi pena não se ter tornado num baile generalizado, porque a música indicada para tal estava lá.
Houve Pepe Fado, já conhecido do EP editado pela Optimus Discos, tal como o Fado é Bom p’ra Xúxú, Oh!, Borracha do Rocha e Sensatez, foi cantada a Camisa Amarela, conhecida daqueles filmes portugueses a preto e branco que muita gente tem em casa, ouviu-se a Laranjina que até fez parte do anúncio daquele belo sumo com garrafa estranha no início dos oitenta e que quando mais velhos já cantámos no original (Tequilla dos Champs), também se ouviu o belíssimo Cha cha de Lisboa.
Enfim, o grupo deu tudo em palco, ao todo foram tocados 21 temas e o público ainda exigiu encore e então lá veio a repetição de Oh! que encerrou com chave de ouro uma noite inesquecível.
Aqui fica o alinhamento de todo o concerto que foi uma experiência que eu espero poder vir a repetir mais vezes.
Para quem não conhece o Real Combo Lisbonense, ele é uma orquestra, idealizada por João Paulo Feliciano, - o músico ex-Tina and the Top Tem que também é arquitecto e que no grupo toca órgão Hammond, piano, guitarra e pandeireta – que tem “um repertório essencialmente constituído por clássicos de sempre e pérolas perdidas da música portuguesa o Real Combo Lisbonense é uma formação que recupera, sob uma perspectiva actual, o espírito e o repertório das orquestras e conjuntos de baile dos anos 50 e 60”.
Do grupo fazem parte Ana Brandão na voz, Bruno Pernadas (Jule and the Carjackers e etc.) na guitarra, David Santos (TV Rural) no baixo, Ian Mucznik (Rat Swinger) na voz, guitarra e percussões, João Pinheiro (TV Rural/Diabo na Cruz) na bateria e vibrafone, Mário Feliciano (ex-Red Beans) no orgão Farfisa, voz e percussões, Rui Alves (Julie and The Carjackers e etc.) nas percussões, bateria e coros, Sérgio Costa (Vitorino, etc.) no piano, piano eléctrico, flauta, saxofone tenor, Tomás Pimentel (são tantas colaborações que não cabem aqui) no trompete e fliscórnio e ainda contaram com a participação da Márcia Santos na voz.
O concerto começou com um instrumental e de imediato nos sentimos a entrar na máquina do tempo, todo o aspecto visual nos leva para outros tempos e a música vai-nos embalando, o apelo à dança “agarradinhos, mas com respeito” é uma constante, ao mesmo tempo que somos invadidos por uma sensação de felicidade permanente.
Os cantores iam-se revezando e os temas iam saltitando entre Portuga, França, Espanha e Brasil com ritmos alegres, música bem “swingada” e sempre muito bem cantada, a alegria que se vive no palco vai contagiando quem assiste e, aqui e ali, a timidez inicial do público vai sendo derrotada e começam a ver-se alguns pares a dançar, foi pena não se ter tornado num baile generalizado, porque a música indicada para tal estava lá.
Houve Pepe Fado, já conhecido do EP editado pela Optimus Discos, tal como o Fado é Bom p’ra Xúxú, Oh!, Borracha do Rocha e Sensatez, foi cantada a Camisa Amarela, conhecida daqueles filmes portugueses a preto e branco que muita gente tem em casa, ouviu-se a Laranjina que até fez parte do anúncio daquele belo sumo com garrafa estranha no início dos oitenta e que quando mais velhos já cantámos no original (Tequilla dos Champs), também se ouviu o belíssimo Cha cha de Lisboa.
Enfim, o grupo deu tudo em palco, ao todo foram tocados 21 temas e o público ainda exigiu encore e então lá veio a repetição de Oh! que encerrou com chave de ouro uma noite inesquecível.
Aqui fica o alinhamento de todo o concerto que foi uma experiência que eu espero poder vir a repetir mais vezes.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Eu Quero Ver!
A técnica é conhecida e foi usada bastas vezes pelo governo anterior, um qualquer, mais ou menos obscuro, porta-voz lança uma medida impopular nos meios de comunicação e depois, conforme as reacções da populaça, sai uma lei mais ou menos parva.
Por isso decidi desde já mostrar o meu desagrado perante a possibilidade que foi aventada pelo Ministro Sombra que Não Foi Eleito António Borges. Essa possibilidade é a de acabar com a RTP2 e concessionar a RTP1 a privados, li também em qualquer lado que inclusive está previsto acabar com a Antena 3.
Terei muito a dizer sobre a estupidez da ideia, mas a maioria das palavras são impublicáveis pois eu quero continuar a manter este blog livre de palavrões. Mas vontade não me falta.
Quero só dizer que já muito me custou quando acabou o programa Acontece do saudoso Carlos Pinto Coelho, em 2003, por coincidência ou não, no mandato dum Governo da mesma linha partidária do actual. Eu sei que estes governos do meio são sempre muito parecidos, mas parece que esta “sanha” anti-cultura se nota mais quando estes artistas lá estão.
Em suma, já assinei a petição “Em Defesa do Projecto da RTP2”, vocês também o poderão fazer aqui - http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N27730
E vou continuar a ver o canal do qual não gosto de tudo, mas vejo-o pelas séries de qualidade, pelos documentários, pelo Bairro Alto, pelo Câmara Clara, pelo Ingrediente Secreto, pelo 5 noites 5 filmes que agora são menos, pelo desporto de modalidades amadoras nas tardes de sábado e domingo, pelos concertos nas madrugadas de sextas, pela informação diária que informa em vez de distrair, enfim, pelo serviço público que por enquanto existe e ao qual tenho/temos direito.
Quem ler isto pensa que não faço outra coisa, mas informo já que eu sou daqueles privilegiados que tem a possibilidade de por a gravar e ver quando pode.
Eu sou dos que vê porque quer ver!
Aqui fica uma canção cujo refrão pode servir de inspiração aos que, como eu, querem que as coisas mudem para melhor neste País. Porque começa a ser urgente que algo se faça.
“Vai nortada vai
Varre este País
Troca os ventos de brandura
Por algo que abane com isto tudo”
In Baile na Eira – Diabo na Cruz
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Blowzabella em Estarreja


É impossível ficar indiferente ao som dos Blowzabella. O grupo Londrino anda pela Europa há mais de trinta anos a fazer aquilo que melhor sabe, difundir música folk tradicional inglesa.
Inicialmente estava um pouco apreensivo como uma formação citadina conseguiria transmitir energia ao Festim, mas foram logo desfeitas as minhas apreensões iniciais aos primeiros acordes da banda.
Com uma sonoridade pujante este grupo mistura em palco seis músicos e vários instrumentos tradicionais – concertina, saxofone e gaita-de-foles e um peculiar Hurdy Gurly um instrumento de corda com uma manivela, produzindo desta forma um som único e muito peculiar.
O festim estava instalado logo no inicio do concerto que durou quase duas horas. Foram várias as pessoas que se deslocaram até às laterais do teatro para trocarem um pezinho de dança, já que o ambiente propiciava mais um concerto ao ar livre com área própria para a dança.
Infelizmente os excelentes concertos do festim são considerados muito alternativos para a maioria do público, fazendo com que a sala tivesse pouco mais de uma centena de pessoas a assistir a este brilhante concerto.
Texto e Fotos de Miguel Estima
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Echo & The Bunnymen na Serra do Pilar
Já há muito tempo que digo que a máquina do tempo já está inventada, ela é a Música. Com ela e as memórias que vêm a ela associadas qualquer um de nós muda de lugar e de tempo, chegamos a ganhar anos de vida.
Se dúvidas houvesse, no passado dia 30 de Junho, ao assistir ao concerto de Echo & The Bunnymen na Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, fiquei com mais uma prova desse facto inegável.
Muita gente encheu o recinto para possivelmente os ver em memória do passado ou por outra motivação qualquer.
O meu motivo foi o de ouvir música que gosto, em boa companhia e passar um bom bocado. Até porque já os tinha visto, há relativamente pouco tempo, a abrir para os Arcade Fire em Santiago de Compostela, e tinha-me agradado a sua actuação.
A abrir os ingleses deram-nos logo dois temas do seu primeiro álbum Crocodiles de 1980, foram eles Going Up e Rescue, para ao terceiro tema tocarem Stormy Weather, um tema do álbum Siberia de 2005, uma forma de dizerem que ainda estão vivos, para logo voltarem ao primeiro com Do it Clean e Villiers Terrace.
O som desde o início nunca esteve em grandes condições, mas da forma como o vento soprava contra, conseguir melhor som era impossível, os técnicos estão de parabéns porque foram conseguindo verdadeiros milagres.
Quase milagre também é, depois de tantos anos, a voz de Ian MucCulloch continuar em tão bom nível e a banda que o acompanha, juntamente com o sempre fiel Will Sergeant, foi competentíssima.
Com um saltinho até 1984 deu-se o encontro com o álbum Ocean Rain e o tema Seven Seas que por cá teve grande air play na época, e lhes deu grande notoriedade, entre os que na altura se ligavam aos grandes mestres da rádio. Pelo menos eu lembro-me bastante de ouvir este tema. Num encaixe perfeito veio Bring on the Dancing Horses, um single que fez parte da primeira compilação da banda o Songs to Learn and Sing de 1985.
As canções foram desfilando entre o passado mais ou menos conhecido e o presente quase desconhecido para a maioria dos presentes, mas a quem a banda ia conseguindo “impor” alguns temas novos, de vez em quando. A apetência do público ia claramente, para os temas do passado conhecido e mostravam-no aplaudindo estes com mais força.
Claro que o alinhamento estava preparado para agradar à maioria e quando Ian apresenta Killing Moon como “a melhor canção alguma vez escrita” (por ele próprio presumo), o aplauso foi estrondoso.
O concerto terminou com The Cutter, seguido demais uma grande ovação que os trouxe para o muito exigido encore que teve dois temas, Over the Wall e Nothing Last Forever que inclui um medley com o Take a Walk on the Wildside de Lou Reed, Don’t let me Down dos Beatles e In the Midnight Hour de Wilson Picket.
Posto isto, os aplausos foram mais que muitos e eles tiveram de voltar ao palco. Também estava a falta Lips Like Sugar um dos temas fundamentais da banda que serviu para fechar com chave de ouro uma noite de boas memórias para muitos e de reencontros, como no meu caso, que foram um excelente complemento à música que ouvi.
Por tudo isso, valeu a pena ter ido até Gaia ver Echo & The Bunnymen, até fiquei mais novo…
Fotos(excepto Setlist) gentilmente cedidas por Ivo Aguiar Carvalho/Imagem do Som
Se dúvidas houvesse, no passado dia 30 de Junho, ao assistir ao concerto de Echo & The Bunnymen na Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, fiquei com mais uma prova desse facto inegável.
Muita gente encheu o recinto para possivelmente os ver em memória do passado ou por outra motivação qualquer.
O meu motivo foi o de ouvir música que gosto, em boa companhia e passar um bom bocado. Até porque já os tinha visto, há relativamente pouco tempo, a abrir para os Arcade Fire em Santiago de Compostela, e tinha-me agradado a sua actuação.
A abrir os ingleses deram-nos logo dois temas do seu primeiro álbum Crocodiles de 1980, foram eles Going Up e Rescue, para ao terceiro tema tocarem Stormy Weather, um tema do álbum Siberia de 2005, uma forma de dizerem que ainda estão vivos, para logo voltarem ao primeiro com Do it Clean e Villiers Terrace.
O som desde o início nunca esteve em grandes condições, mas da forma como o vento soprava contra, conseguir melhor som era impossível, os técnicos estão de parabéns porque foram conseguindo verdadeiros milagres.
Quase milagre também é, depois de tantos anos, a voz de Ian MucCulloch continuar em tão bom nível e a banda que o acompanha, juntamente com o sempre fiel Will Sergeant, foi competentíssima.
Com um saltinho até 1984 deu-se o encontro com o álbum Ocean Rain e o tema Seven Seas que por cá teve grande air play na época, e lhes deu grande notoriedade, entre os que na altura se ligavam aos grandes mestres da rádio. Pelo menos eu lembro-me bastante de ouvir este tema. Num encaixe perfeito veio Bring on the Dancing Horses, um single que fez parte da primeira compilação da banda o Songs to Learn and Sing de 1985.
As canções foram desfilando entre o passado mais ou menos conhecido e o presente quase desconhecido para a maioria dos presentes, mas a quem a banda ia conseguindo “impor” alguns temas novos, de vez em quando. A apetência do público ia claramente, para os temas do passado conhecido e mostravam-no aplaudindo estes com mais força.
Claro que o alinhamento estava preparado para agradar à maioria e quando Ian apresenta Killing Moon como “a melhor canção alguma vez escrita” (por ele próprio presumo), o aplauso foi estrondoso.
O concerto terminou com The Cutter, seguido demais uma grande ovação que os trouxe para o muito exigido encore que teve dois temas, Over the Wall e Nothing Last Forever que inclui um medley com o Take a Walk on the Wildside de Lou Reed, Don’t let me Down dos Beatles e In the Midnight Hour de Wilson Picket.
Posto isto, os aplausos foram mais que muitos e eles tiveram de voltar ao palco. Também estava a falta Lips Like Sugar um dos temas fundamentais da banda que serviu para fechar com chave de ouro uma noite de boas memórias para muitos e de reencontros, como no meu caso, que foram um excelente complemento à música que ouvi.
Por tudo isso, valeu a pena ter ido até Gaia ver Echo & The Bunnymen, até fiquei mais novo…
Fotos(excepto Setlist) gentilmente cedidas por Ivo Aguiar Carvalho/Imagem do Som
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Kimmo Pohjonen em Estarreja
O dia 29 de Junho ficou marcado pelo regresso ao nosso país do grande acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen.
Integrado no Festim o seu concerto no Cine Teatro de Estarreja foi correspondido com uma massa humana desejosa de o ver e/ou rever que encheu por completo a plateia desta sala.
Este dia ficou também tristemente marcado com o rumor, que mais tarde, infelizmente, se veio a confirmar, da saída de Estarreja do lote de Municípios que fazem parte deste Festim.
O virtuoso músico finlandês, brindou-nos com a excelência das suas criações que misturam os sons mais tradicionais do seu acordeão, com a sua voz, sendo tudo gravado para uma "loop station", chegando a parecer que estamos a ouvir um enorme coro a acompanhá-lo.
Cada tema que desfilava ia sendo entusiásticamente aplaudido por todos. Fossem mais ou menos conhecedores, a cada momento o seu som ia conquistado, cada um dos presentes.
A imagem também dá um excelente complemento à sua actuação, quer seja feita no momento quer seja pré-gravada.
Um dos temas apresentados, foi uma espécie de dueto entre o seu acordeão e o motor de um tractor que apareceu projectado e tinha sido filmado num festival agrícola do seu país.
A rematar o muito aplaudido e memorável concerto, Kimmo Pohjonen, colmatando uma falha do seu computador, tocou um tema tradicional da Finlândia sem qualquer ajuda electrónica, mostrando assim aos ainda descrentes (se é que existia algum) que mesmo inovando ele nunca esquece as raízes donde nasceu a sua música.
Este foi mais um concerto que ficará na história do Festim e do Cine Teatro de Estarreja.
Integrado no Festim o seu concerto no Cine Teatro de Estarreja foi correspondido com uma massa humana desejosa de o ver e/ou rever que encheu por completo a plateia desta sala.
Este dia ficou também tristemente marcado com o rumor, que mais tarde, infelizmente, se veio a confirmar, da saída de Estarreja do lote de Municípios que fazem parte deste Festim.
O virtuoso músico finlandês, brindou-nos com a excelência das suas criações que misturam os sons mais tradicionais do seu acordeão, com a sua voz, sendo tudo gravado para uma "loop station", chegando a parecer que estamos a ouvir um enorme coro a acompanhá-lo.
Cada tema que desfilava ia sendo entusiásticamente aplaudido por todos. Fossem mais ou menos conhecedores, a cada momento o seu som ia conquistado, cada um dos presentes.
A imagem também dá um excelente complemento à sua actuação, quer seja feita no momento quer seja pré-gravada.
Um dos temas apresentados, foi uma espécie de dueto entre o seu acordeão e o motor de um tractor que apareceu projectado e tinha sido filmado num festival agrícola do seu país.
A rematar o muito aplaudido e memorável concerto, Kimmo Pohjonen, colmatando uma falha do seu computador, tocou um tema tradicional da Finlândia sem qualquer ajuda electrónica, mostrando assim aos ainda descrentes (se é que existia algum) que mesmo inovando ele nunca esquece as raízes donde nasceu a sua música.
Este foi mais um concerto que ficará na história do Festim e do Cine Teatro de Estarreja.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Gaiteiros de Lisboa em Albergaria-a-Velha
A 24 de Junho na Quinta do Torreão, em Albergaria-a-Velha, decorreu o quarto concerto dos Gaiteiros de Lisboa no Festim.
Não sei se por ser o terceiro do fim-de-semana, mas o facto é que a boa disposição e o à vontade dos elementos da banda foi evidente e e desde o primeiro momento arrancaram para um concerto muito bom.
Penso que por já terem os novos temas mais rodados, não notei nem um pingo de nervosismo.
Valeu a pena ter ido revê-los, quando os tinha visto há tão pouco tempo.Só foi pena o público não se ter chegado para mais perto do palco, mas neste recinto isso já é normal.
Sei que a presença deles ao vivo está garantida, pelo menos para a Festa do Avante, por favor não percam a oportunidade de os ver ao vivo, não se vão arrepender!
Não sei se por ser o terceiro do fim-de-semana, mas o facto é que a boa disposição e o à vontade dos elementos da banda foi evidente e e desde o primeiro momento arrancaram para um concerto muito bom.
Penso que por já terem os novos temas mais rodados, não notei nem um pingo de nervosismo.
Valeu a pena ter ido revê-los, quando os tinha visto há tão pouco tempo.Só foi pena o público não se ter chegado para mais perto do palco, mas neste recinto isso já é normal.
Sei que a presença deles ao vivo está garantida, pelo menos para a Festa do Avante, por favor não percam a oportunidade de os ver ao vivo, não se vão arrepender!
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Roque Beat 4 no Teatro Aveirense - 22 de Junho
Foi com a plateia completamente cheia que o Teatro Aveirense, acolheu a 4ª edição do Roque Beat, desta vez os “animadores de serviço” eram os You Can’t Win Charlie Brown e os Paus.
Pouco depois da hora marcada, coube aos primeiros as honras de abertura de uma excelente noite de música e boa disposição.
Com um concerto que viajou entre Chromatic o belíssimo primeiro álbum e o homónimo EP - YCWCB, o grupo soube cativar a audiência, desde o primeiro minuto. Aliado às belas canções houve sempre doses maciças de bom humor e boa disposição entre os elementos da banda que voluntária ou involuntariamente, foram contagiando com sorrisos todos os que estavam na sala. Tornou-se impossível resistir a tão “boa onda” transbordava do palco e inundava toda a plateia.
O concerto começou, ironicamente (?), com o tema An Ending, aquele que termina o álbum de estreia, logo seguido de Until December e Green Grass #1.
Parti para este concerto sem grandes expectactivas e a partir daqui já estava completamente conquistado, as polifonias das vozes dos vários elementos que cantam, a variedade de instrumentos que tocam a multiplicidade de sons que se vão ouvindo são arrebatadores.
A While Can Be a Long Time, Sad Song o primeiro tema do EP de apresentação, I’ve Been Lost, The Song Below, Device e Sort Of, estes três também do EP, continuaram o encanto.
O final veio com o tema Over The Sun/Under The Water que abre o disco em grande e que encerrou a primeira parte desta noite de Roque Beat em beleza.
Depois de um breve intervalo vieram os Paus, uma banda que apresenta uma música maioritariamente instrumental, em que as vozes mais parecem outro instrumento, e que saem fora de todos os formatos a que a maioria das pessoas está habituada.
Um Baixo, uma bateria siamesa e as teclas, além das vozes, são o que basta para o som de Paus, um som arrebatador que não deixa ninguém indiferente. Talvez por isso já estejam a gerar um culto enorme à sua volta. Aveiro claro, não foi excepção e desde os primeiros sons mostrou o seu agrado em ter cá esta banda.
Língua Franca abriu as hostilidades, seguido de Mudo e Surdo e rapidamente estava instalado uma espécie de caos dançante que só não ficou mais próximo do palco exclusivamente por razões de segurança. Com um som alto demais para o meu gosto seguiu-se Malhão e Deixa-me Ser.
Para os temas Descruzada, Tronco Nu, Ocre e Muito Mais Gente, já tinha vindo mais para perto da mesa de som e aí já me pareceu que o som não estava tão agreste como lá à frente, aí pude apreciar da melhor forma a “desbunda total” que foi o tema Pelo Pulso, tocado em conjunto com os YCWCB, companheiros de Tour Roque Beat 4 que ajudaram a fechar da melhor forma uma grande noite de música portuguesa.
Já este fim-de-semana vai ser possível ver novamente estas bandas no Festival Bons Sons em Cem Soldos naquela que, musicalmente, vai ser a aldeia mais portuguesa de Portugal durante quatro belíssimos dias.
Pouco depois da hora marcada, coube aos primeiros as honras de abertura de uma excelente noite de música e boa disposição.
Com um concerto que viajou entre Chromatic o belíssimo primeiro álbum e o homónimo EP - YCWCB, o grupo soube cativar a audiência, desde o primeiro minuto. Aliado às belas canções houve sempre doses maciças de bom humor e boa disposição entre os elementos da banda que voluntária ou involuntariamente, foram contagiando com sorrisos todos os que estavam na sala. Tornou-se impossível resistir a tão “boa onda” transbordava do palco e inundava toda a plateia.
O concerto começou, ironicamente (?), com o tema An Ending, aquele que termina o álbum de estreia, logo seguido de Until December e Green Grass #1.
Parti para este concerto sem grandes expectactivas e a partir daqui já estava completamente conquistado, as polifonias das vozes dos vários elementos que cantam, a variedade de instrumentos que tocam a multiplicidade de sons que se vão ouvindo são arrebatadores.
A While Can Be a Long Time, Sad Song o primeiro tema do EP de apresentação, I’ve Been Lost, The Song Below, Device e Sort Of, estes três também do EP, continuaram o encanto.
O final veio com o tema Over The Sun/Under The Water que abre o disco em grande e que encerrou a primeira parte desta noite de Roque Beat em beleza.
Depois de um breve intervalo vieram os Paus, uma banda que apresenta uma música maioritariamente instrumental, em que as vozes mais parecem outro instrumento, e que saem fora de todos os formatos a que a maioria das pessoas está habituada.
Um Baixo, uma bateria siamesa e as teclas, além das vozes, são o que basta para o som de Paus, um som arrebatador que não deixa ninguém indiferente. Talvez por isso já estejam a gerar um culto enorme à sua volta. Aveiro claro, não foi excepção e desde os primeiros sons mostrou o seu agrado em ter cá esta banda.
Língua Franca abriu as hostilidades, seguido de Mudo e Surdo e rapidamente estava instalado uma espécie de caos dançante que só não ficou mais próximo do palco exclusivamente por razões de segurança. Com um som alto demais para o meu gosto seguiu-se Malhão e Deixa-me Ser.
Para os temas Descruzada, Tronco Nu, Ocre e Muito Mais Gente, já tinha vindo mais para perto da mesa de som e aí já me pareceu que o som não estava tão agreste como lá à frente, aí pude apreciar da melhor forma a “desbunda total” que foi o tema Pelo Pulso, tocado em conjunto com os YCWCB, companheiros de Tour Roque Beat 4 que ajudaram a fechar da melhor forma uma grande noite de música portuguesa.
Já este fim-de-semana vai ser possível ver novamente estas bandas no Festival Bons Sons em Cem Soldos naquela que, musicalmente, vai ser a aldeia mais portuguesa de Portugal durante quatro belíssimos dias.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Prata
Foi pelos braços de Fernando Pimenta e Emanuel Silva que chegou a muito ansiada Medalha, pelo menos a ver pelo que vão dizendo os meios de comunicação social.
Sim, aqueles que passam practicamente 4 anos a falar de bola e que olimpicamente com essa períodicidade, de repente, se lembram de exigir medalhas aos praticantes daquelas modalidades que eles mal conhecem e cujas federações são por eles (jornalistas) obrigadas a fazer autênticos milagres, com orçamentos que por vezes não chegam ao de uma equipa da Primeira Divisão dos Distritais de Futebol.
Mas enfim chega de desabafos/alertas, o que eu quero mesmo é dar os parabéns a estes rapazes e também a todos os outros atletas olímpicos que vão realizando autênticos milagres diariamente, sempre no anonimato das notícias, mas com muita dedicação.
Aqui vai uma versão de "Tenho Barco, Tenho Remos", um tema original de Zeca Afonso que Os Golpes fizeram, aqui num formato acústico filmado pel'A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria que eu achei por bem dedicar aos nosso atletas olimpicos em geral, e em particular aos da canoagem.
Os Golpes - "Tenho Barcos, Tenho Remos" from Tiago Pereira on Vimeo.
Sim, aqueles que passam practicamente 4 anos a falar de bola e que olimpicamente com essa períodicidade, de repente, se lembram de exigir medalhas aos praticantes daquelas modalidades que eles mal conhecem e cujas federações são por eles (jornalistas) obrigadas a fazer autênticos milagres, com orçamentos que por vezes não chegam ao de uma equipa da Primeira Divisão dos Distritais de Futebol.
Mas enfim chega de desabafos/alertas, o que eu quero mesmo é dar os parabéns a estes rapazes e também a todos os outros atletas olímpicos que vão realizando autênticos milagres diariamente, sempre no anonimato das notícias, mas com muita dedicação.
Aqui vai uma versão de "Tenho Barco, Tenho Remos", um tema original de Zeca Afonso que Os Golpes fizeram, aqui num formato acústico filmado pel'A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria que eu achei por bem dedicar aos nosso atletas olimpicos em geral, e em particular aos da canoagem.
Os Golpes - "Tenho Barcos, Tenho Remos" from Tiago Pereira on Vimeo.
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