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segunda-feira, 23 de março de 2020

César Cardoso Ensemble - Dice of Tenors


Disco apreciado por Miguel Estima


O novo álbum de César Cardoso, a ver a luz do dia no próximo mês de Abril, recorre ao clássico universo do jazz e dá-lhe uma nova roupagem. O saxofonista de Leiria, foi buscar temas a alguns dos tenores de referência do passado, como Benny Golson, John Coltrane, Joe Henderson, Hank Mobley, Dexter Gordon e Sonny Rollins, e criou o seu próprio ensamble com Jason Palmer, Miguel Zenón, Massimo Morganti, Jeffery Davis, Óscar Marcelino da Graça, Demian Cabaud e Marcos Cavaleiro, diríamos mesmo uma formação de luxo. Para além dos temas clássicos, o disco vem acompanhado de dois temas de criação do próprio César Cardoso, dando um toque especial ao disco de titulo “Dice Of Tenors”.
Estamos assim perante um disco fantástico de jazz, com excelentes interpretações, muito bem produzido, e isso mais do que a audição nos permite, sente-se! 
Quando um disco ultrapassa a barreira do lado mais clássico e se reinventa. Vai buscar mais alguma coisa que incorpora e dá mais brilho. Este “novo corpo” a temas clássicos do jazz, faz com que um bom ouvinte de jazz se entusiasme e provoque uma boa sensação quando o colocamos no nosso leitor de CD.  

Dr. BOBÔ - Dr. BOBÔ


Disco apreciado por Miguel Estima


O novo disco de Juan Saiz saxofonista de Santander, foi apresentando ao vivo na sua terra natal em Outubro do ano passado. Só me chegou às mãos por um contacto em comum, e ainda bem que a seu belo tempo tive a oportunidade de ouvir alguma sonoridade nova. 
O mais interessante que se consegue primeiro na música dele é tentar perceber onde a melodia nos transporta. Existe um toque latino, e talvez pela influência do flamenco este disco seja muito de ambiente espanhol. Com bastante ritmo e uma cadência mais certinha, seja pela inspiração com o Mar, ou por partes quase poéticas. 
É pouco mais de meia hora de pura magia em oito temas de uma realidade crua como o “El Impostor”, “El Falso Amor”, “No me dejéis solo”. 
Este é um disco para ouvir com bastante cuidado, já que em cada audição algum detalhe se destaca. Dr. BOBÔ é o trio formado por Juan Saiz (líder) no saxo soprano e tenor, flauta e flautin , Antony da Cruz no baixo eléctrico e Pedro Terán na bateria.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Xose Miguélez – Ontology



Disco apreciado pelo Miguel Estima

Gosto de escrever sobre discos de jazz em dias de chuva, nem sempre isso acontece, mas sinto que o som do disco torna-se distinto quando ouvido em dia solarengo. Estou a escrever sobre um dos mais brilhantes saxofonistas galegos da actualidade, o que torna, qualquer palavra pensada num momento que partilho o que existe entre um suporte físico e aquilo que me envolve. Sentimos ao fim de três temas duas coisas: maturidade e tempo. Maturidade quando se lança um disco como líder. Por vezes leva tempo a cozinhar o disco, e isso tem de ser feito devagar e preferência a serem testadas várias variáveis para solucionar alguns detalhes do tema. E maturidade para seleccionar de tanta pesquisa feita ao longo do tempo, ser materializada da melhor forma no disco. Sentimos uma parte do Xose neste disco, nem sempre é fácil transpor uma parte do músico para a escrita de canções, sentimos a Galiza e um jazz que pertence a zona tão densa de cultura. E saber aproveitar o melhor de tantos factores leva a que Ontology seja um disco para ter em casa para ouvir em dias como o que estou a escrever, que está bom para me sentar no sofá e simplesmente disfrutar do melhor jazz do Xose Miguélez.
O disco é composto por dez temas, todos originais sendo o ultimo um tradicional da tia Amparo. O disco que saiu em Abril deste ano de 2019, teve ainda como músicos Storm Nilson na guitarra, Bem Leifer no contrabaixo, John Kizilarmut na bateria, Peter Schlamb no vibrafone e Matt Otto no saxofone tenor.     

quinta-feira, 14 de março de 2019

Krake – The Clifton Bridge Landscapes


Disco apreciado por Miguel Estima

Já escrevi sobre muitos discos, confesso que não é fácil. A mim interessa-me sempre um lado mais de empatia ou não, simplicidade/complexidade e orgânica. E depois vem sempre um dilema grande, muitos dos discos que me aparecem para audição são de amigos, o que torna a coisa mais complicada, ou simples.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Eduardo Cardinho - "In Search of Light"



Disco apreciado por Miguel Estima



Ainda não tive o privilégio de assistir a uma actuação ao vivo do jovem Cardinho e falha minha, eu sei. Já tinha ficado empolgado quando o lançamento do primeiro disco “Black Hole”, de 2016 e lançado pela Carimbo (a editora da Porta Jazz). Agora a fasquia estava muito mais alta, já que este disco resulta da estadia do vibrafonista em Amesterdão.
“ In Search of Light”, que foi gravado em Julho de 2018 com a colaboração do saxofonista de renome mundial Ben Van Gelder, do virtuoso acordeonista João Barradas e de uma sólida secção rítmica com Bruno Pedroso na bateria e André Rosinha no contrabaixo, contando ainda com um quarteto de cordas em alguns dos temas que fazem parte deste disco.
Existe todo um lado magnético que proporciona o som do vibrafone, que aqui é dado o seu destaque com a devida cautela, sendo de notar um lado mais estético de uma mistura, sem que o virtuoso de um, seja o destaque de todo um colectivo. Por vezes não resulta, mas aqui Cardinho conseguiu que o frio de Amesterdão, fizesse o seu trabalho no colectivo, dando espaço a todos para um grande disco de jazz, daqueles que dá um especial prazer em ouvir, num belo sofá junto a uma lareira.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Marcos Cavaleiro no RUM com Jazz - Report

Marcos Cavaleiro Quarteto
RUM com Jazz 
Museu Nogueira da Silva - 7 de Dezembro de 2018

Texto e Fotos de Miguel Estima 

 Marcos Cavaleiro Quarteto feat. Thomas Morgan foi a última proposta para o ciclo Rum com Jazz para este ano de 2018, e quiçá a última deste ciclo temático que envolvia a Rádio Universitária do Minho e o Museu Nogueira da Silva.

sábado, 1 de dezembro de 2018

João Grilo em residência no Guimarães Jazz 2018


Conversa de Miguel Estima com João Grilo, durante o Guimarães Jazz de 2018


Esta edição do Guimarães Jazz teve como convidado para o projecto Guimarães Jazz/Porta-Jazz o pianista João Grilo, no Domingo 11 de Novembro foi desvendado o resultado da colaboração artística entre músicos com um artista de outra área criativa, desta vez um videasta. Durante uma semana, um grupo de músicos nacionais e estrangeiros, liderado pelo compositor João Grilo, e o artista convidado Miguel C. Tavares testam as suas fronteiras disciplinares e zonas de conforto, explorando novas referências por forma a descobrirem novos caminhos expressivos.
No final do espectáculo A Certeza da Música esteve à conversa com o músico para nos contar um pouco mais da residência.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Guimarães Jazz 2018 - Report


Guimarães Jazz 2018 por Miguel Estima

Como habitualmente não vou aqui falar dos mega-concertos que acontecem todos os anos no festival Guimarães Jazz, ou melhor vou…


O Holland e o Avishai deram dois concertos que certamente irão ficar na memória de muitos por longo tempo. E as Big Bands deram aquele toque que todos os anos procuramos no Guimarães Jazz.
Mas Guimarães vive o jazz cada vez mais intensamente. E se em anos anteriores já existiam animações pelos bares e restaurantes este ano “a coisa” ficou muito mais certa com uma prévia divulgação e comunicação ao público de onde iriam acontecer estas animações. São momentos curtos de trinta a quarenta minutos, num espirito muito informal, que nos dão uma inspiração do que estes jovens andam por aí a fazer durante os dias que passam em Guimarães.

O Guimarães Jazz vive também muito das Jam’s. Este ano a cargo de Matt Ullery’s que veio com uma formação em quinteto também este a explorar um novo projecto, que teve a oportunidade de o apresentar parcialmente e mais informalmente nas jam’s e depois em concerto próprio no último dia do festival.
São estas jam’s os verdadeiros momentos de comunhão entre os melómanos, estudantes, músicos mais ou menos consagrados visam quebrar barreiras entre os celebrantes e a divindade através de um estado de exaltação mística e satisfazer muita gente que procura de uma forma livre e espontânea viver o verdadeiro espirito de partilha. Onde “quase” não existe a quarta parede. Tudo parece mais fácil, mas delicado e ao mesmo tempo mais tosco e mais simples.
Viver o Guimarães é isso. Partilho para além destas parcas palavras algumas imagens de momentos, esses momentos mais informais que estão na génese daquele que é considerado por muitos o melhor festival de jazz que temos em Portugal.




Foto-reportagem completa na página de facebook deste blog.

Manuel Gutiérrez Trio – Unexpected Trip

Disco apreciado por Miguel Estima


Nem todas as viagens são esperadas da mesma maneira. Uma viagem surpresa por vezes é uma boa viagem onde a aventura assume um rumo mais ou menos aleatório. Manuel o pianista mais calmo que conheço, aquele que nos brinda com paz a cada acorde do seu piano, surpreende com este disco melódico e muito harmonioso.

Pablo Sax – Amorgana


Disco apreciado pelo Miguel Estima


“O amor gana, casi sempre”, frase que está no final texto que acompanha o CD de Pablo “Sax” F. Sinde.
E este é um disco assim, um disco que começa com um amor incondicional ao saxofone. Em primeira analise é esse corpo presente em todo o momento. Pablo comunica de uma forma muito clara tudo o que poderia estar a passar na alma.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Agenda - Guimarães Jazz 2018

De 08 a 17 de Novembro, a 27ª edição do Guimarães Jazz viaja por 13 concertos – 5 destes apresentados em estreia absoluta e 6 em estreia nacional – em 10 dias consecutivos, algo que acontece pela primeira vez na história do festival. 
Como consequência, terá uma mais efectiva e constante presença da música na cidade e na agenda dos seus espectadores, contribuindo assim para aproximar ainda mais os músicos e as pessoas que organizam o festival do seu público. 
Acrescentado este dado novo, o Guimarães Jazz continua a ser, tal como é a sua matriz desde o início, um festival equilibrado, reflectindo-se esse equilíbrio em várias dimensões: na notoriedade e na idade dos músicos envolvidos, na tipologia das formações, na proveniência geográfica dos projectos e nas estéticas musicais representadas. 
Em Guimarães, fazem-se ouvir nomes como Dave Holland, Dave Douglas, Bill Laswell, The Mingus Big Band, Steven Bernstein, Catherine Russell, entre muitos outros.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Mário Costa – Oxy Patina


Disco apreciado por Miguel Estima

Ainda faltam quatro meses para o final de 2018 e começo por dizer que talvez seja o melhor disco de jazz que me chegou às mãos este ano. O Mário, moço de Viana do Castelo, que toca com gente graúda do jazz internacional, gravou na edição de 2017 no Festival Jazz na Praça da Erva em formato residência artística o seu primeiro disco de originais. A ele juntou-se o brilhante e cristalino guitarrista Marc Ducret e não menos talentoso e profícuo pianista Benoît Delbecq.
Nesta jornada de experimentação e fusão de ideias entre uma linha que poderia ser imaginada entre dois polos tão semelhantes e não menos ambíguos. Com o toque doce como uma bola de Berlim do Zé Natário ou a briza do Lima que por esses dias de Verão estaria calmo e ameno, tornando-se Viana uma fonte inegável de inspiração para toda a profusão de sonoridades que abundam no disco.
Daqueles discos que apetece ouvir, que se sente cada segundo como um momento único que vale por si, de uma forma única. Prevê-se uma longa e profícua jornada para o Mário que tão bem compôs este primeiro disco como leader.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Agenda - Jazz, Sunset e Meia

jazz visita o centro de Aveiro para a primeira edição do Jazz, Sunset e Meia. 

Agendado para os dias 7 e 8 de setembro de 2018, Jazz, Sunset e Meia é o novo evento da época dos Festivais de Verão em Portugal. Depois da confirmação de Maria João Trio Ogre,LokomotivElisa Rodrigues e João Hasselberg & Pedro Branco, o Festival revela mais um pouco da sua programação.

sábado, 4 de agosto de 2018

Marcos Pin – Triangle and Square



Apreciação de Miguel Estima

Para quem conhece a “cena” musical da Galiza, principalmente ao nível do jazz, conhece o Marcos Pin, nome incontornável do circuito Compostelano.
Mais do que músico, é um mestre no que toca à guitarra. Profícuo e persistente, tem lançado um disco a cada ano que passa, ou quase, o leva sempre a que a fasquia esteja cada vez mais acima do anterior. “Broken Artist” o seu último disco lançado em 2016, foi considerado um dos melhores discos do ano de jazz de Espanha.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Natanael Ramos – Islander’s Dilemma

Natanael Ramos - Islander's Dilemma
Disco apreciado por Miguel Estima

Existe sempre uma condicionante que vem quase propositadamente quando me chega um disco. Todos os momentos são bons momentos para a audição cuidada. E nestes últimos dias de Fevereiro eis que me chega o disco de Natanael Ramos, trompetista das ilhas Canárias que lançou recentemente o seu disco Island’s Dilemma.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

César Cardoso – interchange

Disco apreciado por Miguel Estima 

Lançado no passado dia 10 de Fevereiro, este novíssimo disco do César Cardoso, músico que lançou recentemente o livro ” Teoria do Jazz”, para além de ser mentor da Orquestra de Jazz de Leiria e integrar o colectivo Desbundixie.
Aqui em formato quarteto com os músicos Bruno Santos na guitarra, Demian Cabaud no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. O quarteto contou com a participação especial do saxofonista Porto Riquenho Miguel Zenón, um músico notável e líder dos San Francisco Jazz Collective, que ainda em 2016 marcaram presença no 25º aniversário do Guimarães Jazz.
O disco conta com essa pitada de toque americano, que por vezes sentimos necessidade para quem está deste lado do Atlântico. O jazz tem um ritmo mais brilhante, sendo mais complexo musicalmente falando, contudo é um disco com uma forte componente melódica. Sentimos uma necessidade de voltar a ouvir novamente, de tão suave que entra a cada instante no nosso universo auditivo. Coincidência ou não e estar a fazer a critica no dia de São Valentim, este disco é um excelente disco para ouvir a dois, num momento mais relaxado, como companhia perfeita para desfrutar o momento. Mais um disco que será nos irá figurar numa lista de melhores de 2018!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lithium – Red


Disco apreciado por Miguel Estima

Um dos melhores discos que me chegou neste mês de Janeiro, foi este “Red” dos Lithium. Um disco transversal em nacionalidades já que o quarteto é composto por três finlandeses e ainda com o “nosso” André Fernandes. Na tour ainda vão contar o saxofonista Gianni Gagliardi, catalão mas radicado em Nova Iorque.
 O disco tem um toque limpo, com as camadas certas de ritmo e harmonia. Nem exageros, nem grandes artefactos, contudo estamos perante um brilhante disco que conta com uma energia contagiante. Desde o Bruin Bay escrito pelo pianista Alexi Tuomarila, o disco vai num viagem no tempo por um Falling do baterista Joanne Taavitsainen, mas a bateria é muito mais vibrante no tema seguinte Interstellar.
Mas se os três primeiros temas já nos deixam rendidos, o restante do disco é uma pura degustação gourmet destes brilhantes músicos. Sou suspeito a falar do André Fernandes (guitarrista) porque admiro a forma como tem vindo a progredir como músico e a presença em grupos internacionais, mas surpresa vai para o pianista Alexi Tuomarila que tem uma forma muito peculiar de tornar cada acorde, criando um momento único nos temas.
Está muito bem misturado já que a presença da bateria do Joanne Taavitsainen e o baixo do Joonas Tuuri, não entram em conflito. Uma das coisas que me agradou mesmo muito foi a brilhante mistura, sem um destaque a nenhum instrumento e tudo a soar muito bem, o é um caso cada vez mais raro. Este será um disco para nos acompanhar ao longo deste ano, que promete ser um profícuo ano de jazz.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Paulo Silva Trio - Mãe

Disco apreciado por Miguel Estima

O disco já não é assim muito recente, mas como habitualmente, interessa mais falar de um disco quando ele nos preenche. Se temporalmente ele já foi lançado há alguns meses, isso são meras questões temporais que podem ficar desligadas e submetidas para segundo plano.
 Paulo Silva esse baterista Brasileiro que anda por Santiago de Compostela a espalhar um bocado da sua magia, cruzou-se pelo caminho com um já habitual das minha resenhas discográficas o Valentin Caamano na guitarra e juntou-se ao Alberte Rodriguez em Fevereiro de 2016, num estúdio e tocaram temas, uns originais como 6:26 do Valentim, Quatro do Alberte e Praiaba do Paulo, os restantes temas são adaptados pelo trio e gravados neste álbum.
 A poesia da língua, está neste encontro entre a musica e a simplicidade. Despojada de grandes ruídos alheios, e de floreados a mais, o disco do Paulo é um reflexo do melhor que um artista pode fazer, mostrar-se, não ter receio de ir, e se juntar com os amigos e gravar o disco. Esse encontro, que se torna uma ode às mães, pela simplicidade com que cada bocadinho do disco cabe no nosso mundo. Sabe bem e conforta-nos ouvir o disco do Paulo. E isso deve ser um bom prenúncio de um brilhante futuro que estará nos horizontes.

Ricardo Formoso – Origens


Disco apreciado por Miguel Estima

Existe algo de mágico em cada embalagem de vinte por vinte que o carimbo (editora da Associação Porta-Jazz) coloca em cada edição. Faz com que cada disco seja único, não só por ser de edição numerada, como pelo formato pouco convencional para CD.
 Este Origens é o quadragésimo primeiro disco. Veio cheio de energia, com uma sonoridade muito própria. O Ricardo é da Corunha, estudou no conservatório da cidade natal, e seguiu estudos na ESMAE, gostou tanto do nosso país que decidiu descer mais um bocadinho e está neste momento nas margens do Mondego a desenvolver a sua actividade como músico e docente no Curso Profissional de Jazz do Conservatório de Coimbra.
O disco pretende ser auto-biográfico. Começando logo num bebop com “Povo Celta”, não poderia estar melhor o titulo para alguém que sabe de onde vem. Neste disco conta com o mestre Carlos Azevedo no piano, o José Carlos Barbosa no contrabaixo, o Marcos Cavaleiro na bateria, e ainda a participação especial do André Fernandes na guitarra em dois temas.
É um disco riquíssimo instrumentalmente, deste jovem trompetista que mostra uma maturidade muito própria ao longo dos sete temas, numa afirmação no Jazz sem um rotulo muito concreto, essas coisas de Europeu ou Ibérico tem um valor pouco determinante no momento que estamos a ouvir um disco. Tem um toque especial, o Ricardo absorveu como uma esponja um pouco da cultura desde a sua cidade natal, passando pela invicta e não descurando a nobre Coimbra. Com uma pitada de swing no ultimo tema do disco que promete ser um desvio para o rapaz certinho e atinadinho do jazz dos seis primeiro temas, elevando o disco para outro patamar mais funky.
Estamos perante um Brilhante trabalho que merece ser ouvido ao vivo num club onde o jazz seja devidamente valorizado. Porque a verdadeira essência do jazz está num ambiente próprio! E disso tenho a certeza que o Ricardo Formoso cria bons momentos com seu quarteto pelos clubs onde vão passando.