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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Celina da Piedade - Sol

"Sol" é já o terceiro álbum de Celina da Piedade, saído no último trimestre, é mesmo um pouco de sol que nos entra pelo coração adentro, cada vez que ouvimos as suas bonitas canções.
Canções biográficas, canções de amar e canções de embalar, de tudo um pouco encontramos por aqui. Depois é fácil deixarmo-nos envolver nesta quase magia sonora. Tem menos acordeão que nos discos anteriores, mas é com o tema "Neruda" que atinge a excelência.
Todo o disco é para descobrir e leva um Muito Bom!
Este é "Assim Sou Eu" o tema que abre o disco:
Podem também ler a newsleter que apresenta o disco:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Melhores de 2014 - EP's

Tendo em conta a qualidade musical apresentada durante este ano no nosso país.
Decidi separar os discos que foram sainda e me foram maravilhando, entre dois formatos, Álbuns e Ep's (extended play).
Aqui fica então a minha selecção para EP's:

1- TV Rural - Barba (foram o meu prmeiro Excelente do ano!)
2- Tracy Vandal - The End of Everything (sim, conta como portuguesa, vive cá e toda a música foi cá feita e criada)
3- Celina da Piedade - O Cante das Ervas
4 - Cochaise - Já Te Digo Qualquer Coisa
5 - Golden Slumbers - I Found the Key (estas meninas, acumulam também com a categoria - Revelação do Ano!)

Estas escolhas são assumidamente pessoais e não se baseiam em qualqer tipo de votação. Sendo este um blog de cunho pessoal, só assim faz sentido.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Celina da Piedade em Monção - Report


Apesar do frio intenso que se fazia sentir na vila de Monção, a noite do passado sábado 6 de Dezembro, no Cine Teatro João Verde, prometia um dos melhores concertos agendados para esse dia a Norte de Portugal.
Celina da Piedade veio com uma “mala cheia” de sons tradicionais do Alentejo, com principal destaque para o seu último registo “O Cante das Ervas” e fez o auditório vibrar o mais tradicional de outras paragens, numa viagem pelas raízes e memórias do cancioneiro tradicional, onde juntou alguns temas de criação própria.

sábado, 1 de novembro de 2014

Celina da Piedade em Albergaria - Report

O Espaço Café-Concerto do Cineteatro Alba estava completamento cheio quando a Celina da Piedade chegou para a sua Oficina de Cante Alentejano.

sábado, 23 de março de 2013

Agenda - Celina da Piedade em Sever do Vouga

É já hoje, pelas 22h que Celina da Piedade, muito bem acompanhada por Tânia Lopes na Bateria Tradicional, Alex Gaspar no Metalofone, Percussões e Serrote, e com a presença (por confirmar) de Múcio Sá na Guitarra e Bandolim, vai estar no Centro de Artes e Espectáculos de Sever do Vouga.
Os Bilhetes custam 6€ e é mais uma boa oportunidade de ver e ouvir "Em Casa", primeiro e belíssimo álbum desta excelente criadora.
Uma das canções que se vão poder ouvir, é seguramente esta:

Vai valer a pena ir a Sever do Vouga!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mi Casa Es tu Casa - 22 Dez 2012

“Mi casa es tu casa”, uma iniciativa de Fernando Alvim, que após o sucesso da 1ª edição realizada a 28 de Janeiro, voltou a acontecer no passado dia 22 de Dezembro, inserida nas “48 horas de Guimarães 2012”, encerramento da Capital Europeia da Cultura. Muitas foram as bandas e projectos que se deslocaram até Guimarães, para oferecer música, teatro, poesia, …a todos os que estavam disponíveis a andar de casa em casa e tentar a sua sorte!
Chegada a Guimarães já perto das 15h00, hora marcada para o inicio de alguns dos concertos, precisava encontrar a casa mais próxima do local onde havia estacionado. Após andar um bocadinho perdida, acabei por encontrar e foi mesmo sorte que tive, pois ao chegar à porta, disseram-me para entrar rápido, que o concerto estava mesmo a começar. Subi as escadas, recebi as boas vindas por parte do anfitrião e fui convidada a entrar na sala que já estava cheia e mais ficou, quando os que se encontravam na varanda também entraram para que se fechassem as portas e começasse o concerto de Noiserv (www.noiserv.net/)
 Num cantinho da sala de estar e com menos instrumentos que o habitual, começou um desfilar de músicas já bem conhecidas por mim, mas a que nunca tinha assistido num ambiente assim simples, descontraído e intimista; era o público que pedia para aumentar ou baixar alguma coisa nos instrumentos e /ou da voz e até o facto do dono da casa fazer anos naquele dia, assemelhava ainda mais o concerto a uma reunião/ celebração de amigos.
Os comentários elogiosos eram mais que muitos e no final foi bastante requisitado para autografar alguns dos seus trabalhos ali adquiridos. O início tinha sido em grande, agora era procurar outra casa que me recebesse. Passei por uma já esgotada, era Minta que estava lá dentro: cheguei tarde.
Segui para nova casa e já na fila fomos informados que o concerto estava atrasado. Quando percebi quem iria actuar ali e como não era do meu agrado, sai e fui bater a outra porta. A fila já continha o número de pessoas previstas para a lotação da casa, mas havia a possibilidade de o dono permitir a entrada a mais. Abriu-se a porta e lá fiquei eu, a aguardar a esperada autorização para entrar, autorização que não tardou em chegar.
 Desta vez era Márcia - www.myspace.com/fraiseavantgarde - que nos aguardava com a sua guitarra. Após um pequeno “contratempo” por falta de um travessão (transpositor), que foi resolvido graças à presença de um engenheiro entre o público, começou a música e foi mais um momento intenso da tarde, tal era a proximidade entre artista e público, a música ganhava ainda mais força.
A emoção era bem visível no rosto de Márcia e a ocasião tornou-se mais especial, quando se lhe juntou Samuel Úria. É incrível o poder da amizade, a força que esta transmite e a emoção que faz transparecer nos temas. Estava mesmo a sentir-me em casa.
 Na porta ao lado o início estava marcado para as 18h30, como ainda não eram 18h00 avancei mais uma e lá encontrei nova fila já com o número de publico atingido. Novamente teria que aguardar à porta por autorização para entrar. Chegada a mais uma sala, encontrei Celina da Piedade com o seu acordeão www.celinadapiedade.com/.
Além da sua colaboração habitual com Rodrigo Leão, apenas conhecia um tema do seu recente trabalho a solo! Ao acordeão juntava-se uma belíssima voz e interpretava temas populares de outros e alguns originais. Dona de uma enorme simpatia que partilhava a cada olhar, a cada sorriso, conseguiu que grande parte dos presentes cantasse (um pouco a medo) um dos temas. A ela também se juntou Samuel Úria, para o tema que este lhe escreveu “Rua da Amargura”. Pouco faltava para as 19h00 e terminava o 3º concerto, estava a ser muito bom, mas era certo que pouco mais conseguiria ver.
  Nova partida e desta vez para uma das casas mais retiradas do centro. À entrada encontro Samuel Úria (www.myspace.com/samueluria), era a 3ª vez que nos encontrávamos, mas agora não era como “convidado”, mas como o protagonista!
A entrada acontece em tom descontraído e como o próprio disse sentia-se como que a invadir uma ceia de Natal em ambiente familiar. Era mais uma sala cheia e com público de diferentes faixas etárias, com expressões que demonstravam satisfação (pelos menos, nos rostos que conseguia ver, era assim). À incrível voz e guitarra, Samuel Úria juntava algumas histórias/ piadas, incluindo a si próprio. Celina da Piedade e Alex …também se lhe juntaram, foi uma tarde de “intercâmbio” musical entre eles.
Já era noite e os próximos eram às 20h e 20h30. Desci até à rua Rainha, a lotação era elevada e quando cheguei verifiquei que tinha lugar garantido e fiquei para o quinto e último concerto a que conseguia assistir neste dia.
 Era a vez dos The Macaques (www.facebook.com/THEMACAQUES), algo completamente desconhecido para mim. Logo ao entrar esqueci a música e pensei “era esta casa que eu queria para mim”, gosto imenso de Guimarães e do centro histórico, e aquela casa correspondia na perfeição aos meus gostos.
Devaneios à parte, a entrada era feita já com a banda a dar-nos música e mesmo com o rosto “pintado”, parecia-me reconhecer um dos elementos, suspeita que aumentou quando o ouvi falar. No final do concerto ele negava, mas tal como eu, outros reconheceram nele o “Bruno Aleixo”. Um quarteto, com guitarras, voz, percussão e alguma “electrónica”; apresentam-se como “os mais alternativos” e fazem “rock ciclónico”. Letras super reduzidas e repetitivas, uma maneira de cantar com entoação “à Bruno Aleixo” e pinturas faciais/corporais associadas a algum ritmo indígena, não nos deixam ficar indiferentes.
 Era impossível não sorrir / rir, a animação era geral; foi um momento de pura descontracção / animação!
A noite estava muito agradável e resolvi ficar para o espectáculo de La Fura dels Baus na praça do Toural, praça cheia onde assisti a um belo espectáculo de música, projecção de imagem, fogo e algumas performances suspensas, incluindo a declamação de um belo poema de Jorge de Sena.
 Depois de momentos como este, estava à espera de um final em grande, mas achei que terminou de forma algo estranha. Houve como que um compasso de espera que fazia antever algo mais, mas apenas surgiu uma voz a anunciar que a festa continuaria na Praça da Oliveira…
 Segui para a praça que aos poucos se enchia e a festa recomeçou pouco depois com Fernando Alvim a meter discos, foi uma verdadeira viagem no tempo levada pela música.
A animação prometia festa noite dentro tanto ali, como noutros pontos, mas para mim terminava ali o meu sábado (já inicio de domingo).
 Encontram mais fotos aqui.

Texto e Fotos de Maria João de Sousa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Os Melhores Discos de 2012

Como já se torna hábito, chegou a altura de fazer a lista dos melhores de 2012 para A Certeza da Música.
A qualidade da música feita por cá, e que foi aparecendo ao longo do ano foi tão boa que a tarefa de escolher os melhores foi quase “hercúlea”, mas está feita.
Sem mais delongas, aqui estão aqueles que mais gostei de ouvir durante o ano que há pouco acabou:

1º António Zambujo – Quinto 
2º TV Rural – A Balada do Coiote (só porque tiveram o "azar" de lançar o disco no mesmo ano do Zambujo)
3º O Experimentar Na M’Incomoda – 2: Sagrado e Profano 
4º Laia – Sogra 
5º Celina da Piedade – Casa 
6º The Parkinsons – Back to Life (excelente regresso!)
7º Diabo na Cruz – Roque Popular 
8º Wraygunn – L’Art Brut 
9º Gaiteiros de Lisboa – Avis Rara
10º A Naifa - Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes (falta na foto porque me esqueci que era deste ano)
10º B Fachada, Minta e João Correia – reconstroem Os Sobreviventes 
11º Corsage – Música Bipolar Portuguesa 
12º Algodão – A Gramática da Paixão Dramática 
13º Miuda – Miuda (não é só por causa do com quem eu quero, note-se)
14º Birds Are indie –How Music Fits Your Silence 
15º The Underdogs – Songs for The Few 
16º Minta & The Brook Trout – Olympia 
17º The Scart – As We Like It 
18º Mind da Gap – Regresso ao Futuro 
19º B Fachada – Criôlo 
20º Dazkarieh – Eterno Retorno 
21º O Baú – Achega-te 
22º Sebastião Antunes – Com um Abraço 
23º Anaquim – Desnecessariamente Complicado 
24º À Sombra de Deus IV – Braga 2012 
25º Novos Talentos Fnac 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Celina da Piedade - em Casa



Em Casa é o nome que Celina da Piedade escolheu para o seu álbum a solo.
 A solo, mas não sozinha, é que na sua casa coube muita gente, só convidados são mais de vinte e todos ajudaram a enriquecer este disco que acabou por ser duplo, com a vantagem de ser vendido ao preço de um.
No disco há de tudo um pouco, temas para dançar e temas mais calmos, para ouvir e sentir. Por lá encontramos duas letras originais, uma de Samuel ÚriaRua da Amargura – que fala das diferenças entre um casal ao ritmo de Mazurca, e uma da própria Celina – Assim Me Explico – em que se explica muito bem ao ritmo de um lindíssimo Rondeau.
Depois há várias adaptações de tradicionais que “caem que nem ginjas”, logo a abrir o disco o Calimero e a Pera Verde é um encanto, Pombinha Branca leva-nos ao Alentejo só com voz e acordeão e até ”arrepia”. Dentro dos temas que vêm do tradicional e me arrebataram, está sem dúvida o açoriano Lira que aqui conta com a cumplicidade da voz da Galega Uxía e em que tudo bate certo, chegando a roçar a perfeição. Outra colaboração feliz está no corridinho Rebola a Bola, cantado a meias com Carlos Guerreiro dos Gaiteiro de Lisboa que chega a parecer um “trava-línguas” divertido.
O encontro do acordeão da Celina com a trikitixa do Kepa Junkera é outro dos grandes momentos do disco, tal como a composição de Rodrigo Leão com Celina para a letra de Almeida Garret em Adeus, ou o fado Disse-te Adeus de Manuela de Freitas.
Deste tema, foi feito este belíssimo vídeo:

Eu só estou aqui a destacar algumas coisas, mas este disco é de ouvir, e ouvir, e ouvir, porque não cansa, a cada audição vão-se descobrindo novos pormenores.
Aliás é assim que um bom disco deve ser e este disco, como diz um amigo meu quando quer classificar algo que gosta muito, “É Para Além de Bom!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Celina da Piedade em Águeda

Na noite que, há poucos anos para cá, foi aproveitada para importar uma “tradição” que implica fazer uma espécie de Carnaval com frio, cheia de bruxas e vampiros, mas que dá muito jeito às caixas depauperadas de alguns estabelecimentos nocturnos e bazares chineses. Antigamente conhecida como véspera de Dia de Todos os Santos, aquele dia em que se iam pedir os “bolinhos à porta dos santinhos”, à qual agora parolamente chamam de Hallow qualquer coisa.
  Enfim, na noite de 31 de Outubro, tive o prazer de ver e ouvir, em Águeda no magnífico B’ardo/Espaço D'Orfeu, um bocadinho do excelente disco da Celina da Piedade, a que ela deu o nome de “Em Casa”. O local encheu-se de gente desejosa de a ouvir e muitos deles até dançar ao som do seu acordeão e dos instrumentos tocados por quem tão bem a acompanhou.
 Como já comentei noutros artigos, a dança “não é bem a minha praia”, mas sou muito bom a ouvir e adorei o que ouvi. É claro que já tinha o disco que é duplo e foi comprado a excelente preço numa loja da especialidade, aproveitei para ficar com ele autografado, e como eu, mais uns quantos fizeram o mesmo. Como simpatia é coisa que não falta à Celina, nenhum pedido foi recusado. 
Voltando às canções, foram seis temas, pois não se tratava de um concerto, que serviram de amostra para o que está dentro do disco. Assim ouvimos Pombinha Branca, Calimero e Pera Verde, Rua da Amargura, Assim Me Explico, Árvore de Papel e Roubei-te Um Beijo, e foi um encanto.
 Ficou a vontade de ver um concerto completo, e espero que não faltem oportunidades. Este disco merece ser espalhado aos “sete ventos” e ouvido por toda a gente.
Assim que tiver nova oportunidade de a ver, garanto que não a vou perder e aconselho quem ler isto a fazer o mesmo.

Mais fotos aqui.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Bons Sons Cada Vez Melhores...

Uma amiga comum fez com que o João Carlos Lopes descobrisse este blog, do qual gostou.
Posteriormente enviou-me um mail a declarar esse gosto e partilhou comigo um texto escrito por ele, sobre o Festival Bons Sons, para o Jornal Torrejano.
Gostei do tanto do texto que assim que o li, fiz-lhe logo um pedido/convite para que me autorizasse a sua publicação, ao que ele respondeu positivamente.
Assim, é com todo o prazer que hoje vos apresento o referido texto. Espero que sintam o mesmo gosto ao lê-lo que eu senti e, desde já, agradeço ao João Carlos pela a sua disponibilidade e colaboração.

...No Melhor Festival da Música Portuguesa

Vamos directos ao assunto: o Festival Bons Sons, que se realiza de dois em dois anos em Cem Soldos, ali a seguir ao Casal da Fonte e antes de Tomar, é o maior e o melhor festival de música portuguesa. Em termos conceptuais, é o mais sólido e criativo, na inovação e na própria programação musical, de todos os festivais de música que se realizam em Portugal.
Já tudo se disse sobre a invenção de transformar uma aldeia, ela toda, no cenário em que decorre o festival, por onde se semeiam os palcos (pelos largos, pelas eiras, pela igreja), por onde se desenvolvem actividades (antigas lojas, tabernas ou barracões), de como ruelas e travessas, casas, pátios e quintais se abrem à comunidade festivaleira e tudo isto assente numa narrativa que começou a ser escrita em 2006 e parece já uma tradição: o festival é um pequeno momento em que a utopia assenta arraiais naquela abençoada aldeia e se descobre na doçura dos gestos, na tranquilidade dos olhares, na calma e na gentileza com que toda a gente trata toda a gente - uma pequena cidade sem muros e sem ameias, como cantou um dia José Afonso, sempre tão presente neste festival apesar de não ter sido contemplado como patrono de um dos palcos, como seria previsível e justo.
Este ano, o festival não podia ter começado melhor: primeiro, chegaram os “El Naan” com a tradição densamente telúrica e enérgica do planalto castelhano.
Foto Bons Sons
Mas a noite inicial, uma das que marcariam o festival, foi de “A Naifa”, que arrebatou a multidão com um desempenho poderoso e que deixou toda a gente atordoada, perante novas e antigas canções, novas e antigas histórias envolvidas numa batida irresistível em diálogo com a pouco canónica guitarra portuguesa que caminhava ora em pequenas ladainhas de sabor fadista ora em vigorosos acordes e dissonâncias, sempre a um ritmo alucinante. Depois, nos dias que se seguiram, foi o desfilar de um cartaz verdadeiramente incrível, com cantautores, músicos e grupos de todas as áreas e tendências da música portuguesa, daquela que emerge deste surpreendente momento de criatividade e inovação que podemos encontrar para onde quer que olhemos.
Momentos bonitos viveram-se com Celina da Piedade, com António Zambujo, que ficou sinceramente surpreendido pela entusiástica recepção que teve de gente tão nova (“A minha alma está parva”, deixou cair), alegres com os “You can’t win Charlie Brown” ou com “Os Paus”, prodigiosos folguedos com os “Pé na Terra” já quase no fecho; ainda no sábado, as honras foram para Maria João e Laginha, mas o melhor estava para vir, no domingo e último dia.
Primeiro foi Aldina Duarte, que ultrapassou os limites do que se julgava possível em entrega e comunhão com um público que sabe amar a sua arte tão singular. Depois, o festival fecharia portas com um memorável concerto de Vitorino.
Um Vitorino que parece cantar agora melhor do que aos 40 ou aos 50 anos. O cantor do Redondo, aqui e ali atiçando o público com românticos apelos à luta pelos valores do “Sul”, que cantou inicialmente para definir a matriz política do alinhamento, entremeou as suas canções com boleros, modas e fados, aqui crónicas de Lobo Antunes, ali gritos de paixão revolucionária, as pistolas da Maria da Fonte ou as bombas anarco-sindicalista de há mais de cem anos, sempre naquele registo em que Vitorino o faz, a revolta elegante servida num cálice de vinho tinto, e o público, que o conhece de ginjeira, condescende, cúmplice.
Momentos de grande celebração, quase íntima, foram as quatro ou cinco canções do Zeca que Vitorino levou a peito, num registo sempre muito forte, mesmo na roupagem musical. De resto, de todos os “monstros sagrados” da música portuguesa (Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, Palma até certo ponto, e o próprio Vitorino), é o alentejano o mais “afonsino” de todos, assumindo-se como fiel discípulo do “mestre”.
Cem Soldos veio quase abaixo de emoção quando a assistência entoava, em uníssono, o refrão de “Traz outro amigo também”, enquanto o relógio da torre da capela fazia troar as 12 badaladas da meia-noite numa cadência que se diria combinada. Já “A morte saiu à rua” tinha sido outro momento de grande fervor afonsino, mas Vitorino, que a sabe toda, guardou a “Queda do Império” e a “Menina estás à janela” para dar as últimas e o pessoal, gente maioritariamente muito nova, começava enfim a abandonar o largo da aldeia em estado de graça e de transcendência.
Num festival perfeito e quase sem mácula, em que um dos vários trunfos consiste no começo dos concertos às horas marcadas, há coisas menos conseguidas? Certamente. Algumas apostas para o palco da capela revelaram-se desajustadas. Uma coisa é ouvir Lula Pena diante do altar, outra é cair-se em erros de casting como foi, por exemplo, “Abaixonado” num local que, embora veja a sua sacralidade temporariamente suspensa, não deixa de continuar a pedir expressões de alguma contenção e de exigir a devida adequação nas linguagens artísticas, sonoras e estéticas.
Não fosse o “Bons Sons” uma espécie de demanda da perfeição estética em todos os domínios que se somam para nos oferecer, de dois em dois anos, um intervalo de felicidade plena nestes tempos de chumbo que não adivinhámos.

 João Carlos Lopes
JORNAL TORREJANO – TORRES NOVAS