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terça-feira, 10 de março de 2009

Concertos com Causas

Já passou muito tempo, mas ainda me lembro bem da primeira vez em que não vi Sitiados ao vivo. Foi em abril de 1990, no tempo em que se organizavam concertos com boas causas e, neste caso particular, organizar um concerto contra o S.M.O. (Serviço Militar Obrigatório), no Tramagal, a pouquíssimos Km do quartel de Santa Margarida, era de "Homem". Vi a tocar nessa noite os "Clandestinos"onde o João Marques, mais tarde baixista dos Sitiados, tocava, os "Ex-Votos" do Zé Leonel, primeiro vocalista dos Xutos e os já referidos Sitiados.O Teatro Tramagelense estava quase cheio de gente com vontade de ver estas bandas.
Primeiro tocaram os Clandestinos com o seu rock de intervenção e também tocavam uma versão do "Kiss" do Prince. Os Ex-Votos eram uma festa e ver essa "lenda viva" a cantar o "Subtilezas Porno Populares", posteriormente conhecido como "Pimba", ao mesmo tempo que "galava" uma menina do público era ainda mais divertido. Devido ao adiantado da hora tivemos de ir embora para Abrantes antes de tocarem os Sitiados e, além de ter perdido essa actuação, perdi também a entrada de rompante no lobby do Teatro de um louco e o seu jipe, que queria mostrar estar contra os "comunas" que eram contra a tropa (que como toda a gente sabe, é uma fábrica de Homens, ou não...)Só os consegui ver, ainda no mesmo ano, noutro concerto por uma boa causa, pela mesma organização mas, ao contrário do que vem escrito no bilhete, em Montalvo e não no Tramagal, por divergências com a junta de freguesia, enfim portuguesisses.
Aí tocaram novamente os "Clandestinos" uma banda local que tinha participado num concurso de televisão, os "Vírus Amigos" e finalmente os Sitiados. Não estava muita gente mas os que estavam eram bons, só não deu para ouvir "A Noite" porque o Aguardela nesta altura já tinha embirrado com ela definitivamente.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Três Anos e Três Dias

A coisa já estava falada há algum tempo , mas naquele dia tínhamos de decidir . Era o dia do Concerto (30 de Abril de 1990). Oportunidade única, havia dinheiro, vontade e autorização dos pais .Temos de ir para Lisboa hoje à tarde, ainda por cima a professora vai faltar. A que horas sai o expresso? A que horas chegamos ? Não há problema a Elsa está à nossa espera na Casal Ribeiro e de lá seguimos para o Coliseu. ´Bora lá.
Conseguimos chegar a tempo, a malta do Tramagal já lá estava e comprou os bilhetes. Vou comer qualquer coisa ali na tasca, têm lá um feijão -frade com atum que me está a chamar, até já . Vamos para a plateia, Coliseu cheio, grande produção, com calhambeque em palco e tudo.
Estes GNR não deixam nada ao acaso, por incrível que pareça, à hora marcada começava o concerto. Era a gravação do que iria ser famoso “In Vivo” .
Muito bom tocaram as antigas e tudo, até tocaram aquela da série de televisão, maravilha! Festa em grande, deu para ficar quase rouco e tudo.
Depois da festa tinha-mos de ocupar o tempo até à hora do comboio, a Patrícia encontrou o João Marques , dos Clandestinos, juntámos o resto do pessoal e saímos. O João disse, vamos até ao Bairro Alto que está lá o João.
O espírito era de visita de estudo, estávamos no Bairro certo com alguém que conhecia verdadeiramente a zona, conhecidos a passar nas ruas, visitas aos lugares que os Peste & Sida cantavam.
No Gingão a Elsa teve direito a declamações etílicas de Camões feitas por dois clientes habituais. A mistura de tribos neste local era gira. Seguimos para outro bar, passando pelo Avião, onde os metaleiros compravam litradas de cerveja para beber na rua.
Finalmente encontrámos o João Aguardela. Simpatia e humildade ao natural e ainda me pagou um copo, foi uma honra. Falámos de música, política, tudo. Na minha conversa com ele descobri que era mais velho que eu três anos e três dias.
Os bares foram fechando e nós seguimos a festa para as Palmeiras. O Mário tinha a chave da sede e nós íamos ficar por lá até à hora do comboio. Logicamente ninguém dormiu, com batalha de cubos de gelo e cantorias, foi uma noite muito bem passada.
Aqui foi onde ouvi a melhor versão do “Terça Feira” do Sérgio Godinho alguma vez cantada até hoje, é claro foi cantada pelo João Aguardela, conosco todos a fazer coro. Ainda hoje me arrepio a pensar nesse dia e noite.
Nunca o João ficou a saber que mais tarde iria nascer um grupo de amigos em Aveiro, auto intitulados de “Os Marinheiros” em homenagem à sua canção “Vida de Marinheiro”, mas isso é outra história…

Acompanhar esta leitura ao som de :
GNR – In Vivo, se for a 1ª edição é porque têm muita sorte
SERGIO GODINHO – Terça – Feira
SITIADOS – “A Noite” e “Sitiados”