quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Festival Intercéltico de Sendim - Dia I

Chego a Aveiro ainda com a imagem da roda de amigos que deixei, no largo da Igreja de Sendim, na esplanada do Café Passareiro.
É este o principal ingrediente do Intercéltico de Sendim, “rodas” de amigos, feitas em torno de um gosto comum, pela música de inspiração tradicional.
Só a boa música e o excelente ambiente que se vive nesta vila, é que fazem com que milhares de pessoas se desloquem centenas de quilómetros para poderem, todos os anos, desfrutar destes dois dias de festa. No primeiro dia as “honras” de abertura do 11º Festival Intercéltico de Sendim, estiveram a cargo dos Diabo a Sete, banda de Coimbra que veio mostrar o seu álbum “Parainfernália”, foi bom ver que ainda há muito futuro nesta música que vai buscar inspiração às nossas raízes e consegue dar-lhe uma “volta” que não choca os tradicionalistas e agrada a quem está habituado a sons mais contemporâneos. Como eles se auto-definem: “ Somos uma espécie de cozido á portuguesa, com menos couve e muito mais enchidos”. Os “enchidos” vêm do facto de todos serem excelentes músicos e de conseguirem fazer-nos viajar entre os temas como a “Valsa da Joana e do João”, “Para lá do Marão”ou o tradicional “Chinglindin” que fizeram as delícias dos espíritos mais “bailadores” que também gostaram do mais calmo e introspectivo “En Tu puerta estamos quatro”.Os Diabo a Sete são mesmo uma banda que seguramente agradou a todos os que tiveram o prazer de os ver aqui.
Seguiu-se Mercedes Péon com a sua música vibrante e quase hipnotizante, os primeiros sete temas vieram todos do seu mais recente álbum “Sihá” tais como “Ben Linda”, “Aiché” ou “Paralá”, mas não faltaram temas, do magnífico álbum de estreia “Isué”, como “Deseu” de onde vem o refrão “o Galego que não fala a língua da sua terra não sabe o que tem de seu” que mostra que mesmo com uma sonoridade moderna as raízes não estão esquecidas, e o belo “Elelé”. O diálogo da cantora, gaiteira e multi-instrumentista foi uma constante e o ambiente de festa e comunhão esteve sempre presente, a questão era quase sempre se queriam ouvir algo mais calmo ou mais acelerado, as respostas não deixavam dúvidas e a festa foi-se fazendo, com temas do segundo álbum “Ajrú”. O fim do concerto veio com um estonteante - "Ajarraté" que também fecha o último disco de Mercedes.
Claro que o encore foi obrigatório e a surpresa veio com o clarinetista Fernando Abreu a cantar uma bonita versão de “No Woman no Cry” aqui com uma roupagem diferente e bastante interessante.
Para encerrar o programa de concertos do primeiro dia, vieram os Xarnege com a sua música de entre Euskadi (País Basco) e Gasconha.
Um som surpreendente e maioritariamente instrumental que assenta muito numa base de sanfona e de Tun-Tun que é um instrumento de percussão com seis cordas e que acompanha a Txirula, flauta de dois furos, tal como vários outros instrumentos de sopro tradicionais da região de onde vem o grupo.Após o concerto a festa não acabou pois o BardoFolk continuou animado, até altas horas e onde não faltou o som da gaita.

3 comentários:

ppnunes disse...

Parabéns pela reportagem e pela emoção que consegues transmitir sobre o que foi, e é o FIS.

Paulo Nunes

Joao Nuno Silva disse...

Obrigado pela força Paulo, um abraço.

tiquitas disse...

Concordo completamente com o Paulo! O espirito do FIS está muito bem retratado!