segunda-feira, 21 de agosto de 2017

alt-J no Luxemburgo - Report



13 de Julho de 2017, Abadia de Neumünster, Luxemburgo

Texto de Rui Gonçalves

Fotos de Raquel Magalhães Cardoso e Rui Gonçalves

Ter amigos a milhares de Km de distância, já não é tão mau como antigamente, é que nos dias de hoje, com a internet, sempre vai dando para ir matando saudades. 
Este é um artigo daqueles que ajudam a encurtar as distâncias e ir sabendo o que é que esses amigos andam a ver e a ouvir.


Aproveitando a presença no local do palco do festival OMNI (Objets Musicaux Non Identifiés) que trouxe ao Luxemburgo em anos anteriores concertos dos Dead Can Dance em 2013, Massive Attack em 2014, The Legendary Tigerman em 2015, Iggy Pop em 2016 e Peaches na noite anterior, os Alt-J tocaram ao ar-livre na Abadia de Neumünster com uma envolvência única. O local, o átrio de uma abadia na parte baixa da cidade (Gründ) circundada por paredes naturais de arenito, faz parte do conjunto de fortificações e aquartelamentos da cidade velha do Luxemburgo, reconhecido pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.
 A primeira parte estava a cargo dos Lea Porcelain, um duo alemão de Frankfurt que tentou aquecer o público com a sua música electrónica, apesar de enfrentarem alguns problemas com o som durante toda a sua actuação.  
Mas os presentes, que não eram suficientes para encher os claustros, esperavam a entrada em palco do (agora) trio inglês e foi com alguma alegria que se ouviram os primeiros sons de 3WW. O tom melancólico do tema enquadrava-se perfeitamente com o ambiente monástico do local e as luzes do pôr-do-sol cobriam o céu de um matiz vermelho-laranja que traziam ainda mais profundidade ao momento. Na parede do Bock – uma parede de arenito usada como fortificação natural – mesmo atrás do palco projectava-se um grande 'A' envolto num círculo que se confundia com a paisagem. Faltou a presença da Ellie Rowsell dos Wolf Alice mas tudo se enquadrava para uma atmosfera única de celebração musical.
  Com rigor e profissionalismo, os temas dos três discos foram-se seguindo uns atrás dos outros sem grandes interacções com o público e sem grandes intervalos. O jogo de luzes no palco (depois do sol se pôr) sobrepunha-se à paisagem envolvente e produziam efeitos visuais hipnóticos que acompanhavam a música no seu movimento sonoro oscilatório e a voz de timbre vibratória do vocalista - Joe Newman.

Agradecendo a sua presença ali, o teclista – Gus Unger-Hamilton – pediu a colaboração do público para cantarem com eles o tema que se seguia – Matilda – talvez como alusão ao refrão em francês ou apenas porque sabiam que era o tema mais conhecido pelo público. Ao que se seguiu talvez o momento mais vibrante do concerto com o público a adicionar alguma dimensão extra ao que normalmente se ouve nos registos de estúdio dos alt-J.
Daí até ao final do concerto os alt-J foram prendado o público com mais alguns temos acabando o encore com provavelmente os dois temas mais importantes dos seus discos anteriores - Left Hand Free e Breezeblocks.
Um concerto bastante simples, num local único, com uma música singular e envolvente, mas que soube a pouco. Pelo que fomos dali beber mais um copo e cantar ao Café des Artistes acompanhados pelo som do piano que ali está desde o final dos anos 60.
Setlist:
3WW

Something Good

(Ripe & Ruin)

Tessellate

Deadcrush

Nara

In Cold Blood

Dissolve Me

The Gospel of John Hurt

Bloodflood

Every Other Freckle

Matilda

Hit Me Like That Snare

Taro

Pleader

Fitzpleasure

Encore
Intro (An Awesome Wave)

Left Hand Free

Breezeblocks