sábado, 14 de outubro de 2017

Mano a Mano - Vol.2


É com um simples “cá vai disto.” que começa “Vol. 2”, a conversa de guitarras entre os irmãos Santos. O que o André e Bruno nos oferecem é quase uma hora de grande música sem palavras, para desfrutar do princípio ao fim. Entre originais e adaptações feitas ao seu jeito, o encanto é permanente. Há dias numa conferência, lancei a “provocação” de que ainda não tinha idade suficiente para ser apreciador de Jazz, menti. Afinal até consigo gostar e apreciar Jazz e este que vem no “Vol. 2”, está uma pequena maravilha. Não sei se pelo virtuosismo ou pela química que se sente entre os dois irmãos, ou se é porque a idade me está a modificar o ouvido, o que sei é que sabe muito bem ouvir este disco.
Daqui d’A Certeza da Música levam um Muito Bom e o desejo de os poder ver ao vivo num destes palcos que temos por aí.
Deixo o vídeo de “Super Mário”, o tema de abertura.


Depois, cliquem em ver mais e leiam o texto que acompanha o lançamento do disco.


Mano a Mano é o duo formado pelos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, maioritariamente no estilo Jazz, onde são considerados dois dos mais importantes músicos a nível nacional.

Neste duo, que resulta de uma forte empatia entre os dois irmãos, a escolha de repertório é baseada em originais escritos ou adaptados especificamente para este o duo, e arranjos de canções de autores como Tom Jobim, Chico Buarque, Max, Jim Hall, Irving Berlin ou Thelonious Monk, que os manos foram descobrindo e partilhando ao longo dos anos.

O primeiro disco, editado em 2014 de forma independente com o apoio de uma campanha de crowdfunding muito bem sucedida que contou com cerca de uma centena de participantes, foi apresentado em diversas salas do país num total de cerca de 40 concertos, e gerou várias críticas nacionais e internacionais.

Para este segundo disco, “Mano a Mano Vol. 2”, os manos Santos focam-se somente no “duelo” de guitarras, com repertório dinâmico, que incorpora momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato. Dando primazia ao som acústico, André e Bruno exploram várias formas de diversificar os seus arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros.) e técnicas percussivas. Outra das novidades é a inclusão do Braguinha/Machete em alguns temas, um instrumento tradicional madeirense, da família dos cavaquinhos, que para além de criar dinâmica no repertório, explora e incita a novas abordagens neste e noutros cordofones tradicionais.

Com o objetivo de tornar o duo ainda mais sólido em todas as vertentes, musicais e não-musicais, e com isso cativar novo público, o espetáculo ao vivo aliará a parte musical à visual. À imagem de marca de Mano a Mano, que consiste numa guitarra para cada lado, em formato V, resultado de André ser esquerdino e Bruno ser destro, juntar-se-á um cenário, como se os manos recebessem o público em sua casa, na sua sala-de-estar, onde tudo começou há cerca de 20 anos. A execução dos temas, o diálogo com o público, contextualizando e explicando o conceito do grupo e repertório escolhido, é assim apresentado num ambiente descontraído e familiar, tornando este formato mais acessível para público menos habituado a música sem palavras.

Mano a Mano é parte fundamental no percurso artístico de André e Bruno Santos, porque aqui se exprimem de forma orgânica, sem restrições de estilos, onde para além de uma química musical muito forte e bem trabalhada, existe uma empatia pessoal e toda uma história de irmãos que se transmite naturalmente nos concertos.

1 comentário:

rui freitas disse...

Estou totalmente de acordo com o que aqui se afirma.
Os manos Santos são dois virtuosos da guitarra e uns mestres do Jazz.
Procurem estar informados onde vão actuar. Vale bem a pena vê-los ao vivo. Não se dá pelo passar do tempo.
Parabéns por tão brilhante descrição.