quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Auxiliares de Memória XXIII

Em Janeiro de 1991 nascia a revista Ritual - para quem não sabe é daqui que vem o nome para as noites Ritual no Porto.
Em Aveiro a revista foi apresentada no bar do Restaurante Pizzarte (na Rua Eng. Von Haff), quem hoje em dia lá vai se calhar não sabe que ali havia um dos poucos e melhores bares da cidade.
Ao fim de semana essas noites eram animadas pelo Dj Rui Mig que ainda pode ser ouvido, de vez em quando no Bar Clandestino. Era um tempo em que um Dj de bar tinha liberdade de apresentar música nova e os clientes iam lá para aprender mais alguma coisa.
Não era como hoje nos bares mais "popularuchos", em que qualquer pessoa com duas ou três colectâneas "Now" e mais duas ou três colectâneas dos anos oitenta e munido ainda dos (infelizmente) costumeiros cd's de música pimba, se auto-intitula de "dj" e decide usar o caminho mais fácil, mas que não "enriquece" a sabedoria de ninguém.
Na altura era preciso perceber alguma coisa de música e havia vontade de mostrar aos outros uma imensidão de coisas novas. É certo que também havia vontade, por parte da clientela, de conhecer as coisas que os dj apresentavam. Agora anda tudo no facilitismo do que já se conhece e está mais que "requentado" na esperança que ao ouvir o que se ouvia há 20 anos atrás lhes devolvam a "juventude perdida", é o que está "na moda", vão-me dizendo, o problema é que as modas passam rapidamente...
Já pareço um "velho do Restelo" mas a verdade é que, salvo raras e boas excepções, já se ouviu muito melhor música na noite de Aveiro.
Mas voltando à apresentação da revista, aquilo era excelente para amantes da música portuguesa, como eu e dois amigos que me acompanharam nesse dia.
Finalmente um prologamento escrito de programas de rádio como o Luso-Clube e de TV como o saudoso Pop-Off (referênciado logo neste nº1), que acompanhávamos, enfim era uma revista que fazia falta, fomos então ao bar da Pizzarte para ouvir boa música e para adquirir em primeira mão este que é hoje um objecto de colecção.
Eu já tinha visto ao vivo os Sitiados, os meus amigos não, mas a reportagem sobre eles nesta página, acabou por mudar as nossas vidas para sempre, ou pelo menos pelos tempo que durou a nossa vida académica.
Foi neste encontro de factores quiçá "místicos" que se deu o "segundo acto" da génese de um grupo de amigos que iria ter o nome de "Confraria dos Marinheiros", tal como foi falado aqui.
Assim, pela música, começou uma bela amizade...

6 comentários:

Joao disse...

De bom grado recordo essa noite na Pizzarte.Ainda mais porque acabou tudo cá fora às tantas da manhã com a mãe de um amigo, que vivia por cima do bar, a atirar baldes de água para a maralha demover.
Bons tempos esses de quando aquilo era um bar e se ia lá para ouvir bom som!Continua a ter boa...pizza.
Tens razão quando falas nesses DJ's da treta.São a maioria.Mesmo alguns que se julgam bons,ou o pessoal os idolatra em demasia ou o público está demais formatado a algumas músicas, e passas todos os fins de semana a ouvir os tais HYPES da vida!

Para quando um local onde possas ouvir AMC,BIRDLAND,HUSKER DU,PIXIES (sem o monkey gone to heaven) e muitos que outros que para aqui estão perdidos!?

Joao Nuno Silva disse...

Gostei do pormenor do "Monkey Gone to Heavan" mas nesse caso é melhor não passar o "Here comes your Man" também, ehehe
Olha no Clandestino e no Mercado Negro vai dando para ouvir algo desse género e parece-me que em breve vai abrir uma coisa nova cá por Aveiro que promete...

pedro suissas disse...

Ei pessoal, tem um bar espectacular onde posso ouvir essa boa música e outras que EU GOSTO na companhia de um whiskey velho... Tem é acesso restrito, pois é a minha casa!!!!!!!!
E no quentinho... Enquanto não há melhor opção esta PARA MIM é a mais fixe!
Take care
Pedro Suissas

Joao Nuno Silva disse...

Melhor opção para ti é só quando eu passo música nalgum bar e eu sei que gostas...

rui mig disse...

Tens razão. Em Aveiro já se ouviu melhor música. Naquela época havia muito mais energia e viviam-se tempos particularmente criativos. ´
Hoje está tudo formatado. O ambiente que se vive é de paranóia geral em que quase todos embarcam alegremente. A começar pelo fanatismo ecológico, uma nova religião pagã muito autoritária que combate por todos os meios a urbanidade ao propor um "back to nature" hilariante. Muitos artistas embarcam jovialmente nos aquecimentos globais em vez de exporem a mentira global da tal neurose. Ora a "música rock e arredores" sempre se inspirou na vida dos diversos e "esgotos" das grandes cidades. Estas no entanto cada vez estão mais "clean" em todos as perspectivas, e portanto o rock que se faz cada vez é mais artificial e sobretudo inócuo. Por outro lado atingimos a utopia. Hoje vale tudo e arrancar olhos também. Não há limitações para nada, portanto grande parte da contestação a que os músicos se podiam associar e inspirar... já era.
O que nos resta são músicas suficientemente anti-americanas para ficarem bem na foto e nas revistas cor de rosa da especialidade, que militam no primarismo político, e umas líricas pacifistas da treta que pretendem ter o impacto do movimento hippie anti-guerra do vietnam.
Esta é a minha opinião.
Um abraço
rui mig

Joao Nuno Silva disse...

Obrigado pela opinião Rui.

Abraço